Quando ouço alguém dizer que o ex-presidente Lula é burro, ...“Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo”, já dizia Freud. Afinal, o ex-metalúrgico e sindicalista, nascido em Caetés (PE), saiu praticamente do nada para comandar o Brasil em dois mandatos consecutivos, deixando o cargo com recorde de aprovação, promovendo um governo inegavelmente próspero e inclusivo, um líder social reconhecido no mundo todo, hoje enriquecido. Em que pesem desconfianças e acusações de corrupção à parte, uma coisa é de fácil e tranquila constatação, burro ele não é. A mesma certeza não se pode ter em relação à atual presidente reeleita Dilma Rousseff, que desde a corrida para seu primeiro mandato demonstra extrema fragilidade de discurso, uma fraca debatedora, quem vem ao longo dos anos sendo cada vez mais reconhecida pela dificuldade de explanar ideias com pleno sentido lógico, mesmo quando não se trata de assunto tão complexo.
Quem não se lembra da “saudação à mandioca”, de “dobrar a meta não estipulada”, ou de “ter muito respeito pelo ET de Varginha”? Se não fosse por seu antecessor, dificilmente se imagina, inclusive, que teria ela qualquer possibilidade de sucesso em pleito tão relevante. Carisma, fluidez no discurso, perspicácia e inteligência ímpar, são características que se espera do líder de uma nação, atributos que in casu foram substituídos por um bom padrinho.
Ocorre que essa aparente fragilidade intelectual, vem se demonstrando não apenas no discurso, mas também nas mais diversas áreas da administração nacional, a presidente parece incapaz de conduzir o país para fora da enorme crise econômica que enfrentamos, e na esfera política, perdeu, pelo menos temporariamente, a capacidade de governar, sendo uma apática vítima das chantagens promovidas pelo PMDB, sob o temor de ser removida do mandato por um processo de impeachment.
Como se sabe, o impeachment é um julgamento político, onde inegavelmente o índice de popularidade da presidente tem um peso esmagador e pode decidir seu destino. Em suma, quando o povo é à favor da queda, as forças políticas ganham maior legitimidade para tanto, buscando inclusive capitalizar essa insatisfação em benefício próprio para as próximas eleições, como o julgamento não é jurídico, fica muito mais fácil derrubar a presidente, e justificar conforme a conveniência. Nesse cenário, causa espanto a falta de sensibilidade do governo na promoção de certas medidas no intuito de recuperar o país.
O aumento de impostos num país que já tem uma das maiores cargas tributárias do mundo, e do preço dos combustíveis, pode ser um erro fatal. Em meio ao, até agora, maior escândalo de corrupção de nossa história, que ocorre justamente na Petrobras, parece um deboche escancarar que o povo deva pagar de forma direta pelo que o PT roubou.
Indiretamente, é óbvio que pagamos por tudo, mas os efeitos psicológicos de determinadas medidas são fundamentais, principalmente quando se lida com a massa. Se a presidente não conseguir concluir o seu mandato, o que hoje é uma possibilidade real, além dos escândalos de corrupção e de um desempenho insatisfatório na área econômica, Dilma Rousseff poderá colocar nessa conta, uma boa parcela de fragilidade estratégica, intelectual e uma enorme falta de sensibilidade em lidar com a matéria-prima da democracia, que é o povo.