Economia & Negócios

Indústria fecha 3,2 mil vagas e Ciesp prega a redução tributária

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

A queda na produção industrial resultante da crise econômica que atinge o País provocou o fechamento de 3,2 mil postos de trabalho no setor, nos primeiros nove meses do ano, na região de Bauru. Somente em setembro, foram 700 vagas extintas, segundo levantamento divulgado ontem pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Os números se referem aos 20 municípios abrangidos pela diretoria regional da entidade, cuja sede fica em Bauru. Recém-empossado, o novo diretor Rubens Passos prega a necessidade de o governo federal aliviar a carga tributária para que o setor tenha condições de esboçar alguma reação.

O número de postos fechados de janeiro a setembro de 2015 é o dobro do total registrado no mesmo período do ano passado, quando houve a extinção de 1,6 mil vagas. Já no comparativo entre setembros, o desempenho é ainda mais preocupante, já que o número de postos fechados no mês passado foi 3,5 vezes maior que o de setembro de 2014.

Segundo o levantamento do Ciesp, os setores que mais influenciaram o cálculo do índice do nível de emprego industrial na diretoria regional em Bauru foram o de produtos de borracha e de material plástico (-15%); confecção de artigos do vestuário e acessórios (-5,61%); máquinas e equipamentos (-2,51%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-1,98%).

A pesquisa trouxe, ainda, um fato inédito e preocupante: foi a primeira vez que todas as 36 regionais paulistas do Ciesp registram queda na variação acumulada do ano. Ao todo, foram 138 mil trabalhadores demitidos no Estado nos nove meses iniciais de 2015 (leia mais na página 23).

Expectativa frustrada

João Rosan/Arquivo
Rubens Passos: “Precisamos de mais empresários no Ciesp para termos maior representatividade”

Rubens Passos avalia que muitos empresários adiaram as demissões até a chegada do segundo semestre, que historicamente garante melhores resultados para a indústria. Com a expectativa frustrada sobre uma reação da economia a partir de julho, o processo de fechamento de vagas de trabalho, segundo ele, se tornou inevitável.

“E a tendência é de que esta redução de postos continue ao menos até o final do primeiro semestre de 2016. Não é possível prever quando haverá uma reversão”, analisa.

Em razão do atual panorama, Passos afirma que a regional do Ciesp precisa se fortalecer como instituição para cobrar respostas do governo federal. “Precisamos trazer mais empresários para a associação para termos maior representatividade e voz ativa enquanto região”, pontua.

Entre as medidas que ele avalia como necessárias para reverter o atual cenário de crise está a redução da carga tributária imposta às empresas, como forma de estimular a retomada da produção e, assim, dos empregos e da economia como um todo. “O que pedimos é que o governo faça exatamente o contrário do que vem fazendo. A decisão por aumentar os impostos só piora a situação. O que ele precisa é realizar uma contenção efetiva de gastos públicos”, completa.

 

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