| Éder Azevedo/Arquivo JC |
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| Tribunal do Júri realizado no Fórum de Jaú condenou Edson Roberto Ferrucio pela morte da ex-esposa, Milva Merchan Ferraz |
Após mais de 17 horas de julgamento, nessa sexta-feira (16) de madrugada, o Tribunal do Júri condenou Edson Roberto Ferruccio a 17 anos e quatro meses de prisão pelo assassinato da ex-esposa, professora Milva Merchan Ferraz, na época com 32 anos. O crime ocorreu em 2000, em Jaú (47 quilômetros de Bauru), e chocou moradores da cidade. Durante a sessão, o irmão do réu foi preso em flagrante por falso testemunho.
O júri teve início na quinta-feira (15), às 9h, mas só terminou nessa sexta, por volta das 2h30. Segundo informações obtidas junto ao Fórum de Jaú, Edson foi condenado a cumprir a pena de 17 anos e quatro meses de prisão por homicídio qualificado em regime fechado, mas poderá recorrer em liberdade da sentença.
N.F.F., funcionário dele na época, e também julgado por homicídio, foi absolvido. Durante a sessão, um irmão de Edson, W.F.F. (apenas as iniciais foram divulgadas), foi preso em flagrante pelo crime de falso testemunho, mas, de acordo com a Justiça, ele conseguiu a liberdade provisória e não ficou detido.
O delegado Edmilson Bataier, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú, que atuou no caso, acompanhou parte do julgamento. “Eu trabalhei no caso praticamente inteiro e, embora depois de 15 anos, fico muito satisfeito porque entendo que foi feito Justiça”, declara. “Eu entendo que realmente foi ele e o motivo foi passional”.
O crime
Segundo a Polícia Civil, a professora Milva Merchan Ferraz desapareceu no dia 4 de agosto de 2000, após procurar o ex-marido para que ele assinasse documento que converteria a separação em divórcio.
O carro dela, um Fiat Uno, foi encontrado posteriormente. Já o corpo da vítima só foi localizado no dia 19 de agosto, 15 dias após o seu desaparecimento, seminu, chamuscado e com sinais de espancamento.
Ele estava em um canavial em Mineiros do Tietê e foi achado por cortadores de cana após queimada. Segundo a polícia, a professora foi estrangulada com camisa e pedaço de couro, provavelmente a alça de sua bolsa.
Investigações
O assassinato de Milva foi esclarecido em abril de 2007, após trabalho de investigação da DIG de Jaú. A decretação da prisão temporária do ex-marido dela, Edson Roberto Ferrucio, foi possível graças a gravação feita pela unidade, em que o acusado tenta empréstimo com amigo para pagar uma testemunha.
Escuta autorizada pelo juiz permitiu a identificação da testemunha, funcionário do acusado na época. Ele confessou que mentiu para a Justiça e que o álibi apresentado pelo ex-patrão em agosto de 2000 foi montado para isentá-lo da culpa.
Mesmo preso, Ferruccio negou participação no homicídio, mas foi reconhecido por testemunhas oculares, que disseram ter visto quando ele empurrou a professora para o interior do carro dela.
