Polícia

Fortemente armada, quadrilha tinha carros roubados, QG e uniformes de enfermagem

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: João Rosan
Cesetti, da PM: “Evitamos grande risco à população”
Bandidos usariam jalecos no crime

Fuzis, pistolas, colete à prova de balas, jalecos brancos, carros roubados e uma chácara alugada para servir de “quartel general  (QG) do crime” foram os artifícios utilizados por uma quadrilha desarticulada nesse sábado (17) pela Polícia Militar, em Bauru. Na ação, três dos dez integrantes foram mortos durante confronto, seis se renderam e foram presos sem ferimentos e um conseguiu fugir. Nenhum policial foi atingido pelos disparos.

Segundo a PM, o grupo estava desde a última sexta-feira (16) em uma chácara do Vale do Igapó e planejava explodir caixas eletrônicos de um hospital das imediações ainda neste final de semana. Entre os presos, Pedro Luiz da Silva Moraes, 44 anos, Ademir Laurindo de Moraes, 38 anos, Alexandro Santos Souza, 31 anos, e Luiz Felipe Santini, 29 anos, eram oriundos da Capital.

Ronaldo Neias Carvalho Filho, 36 anos, era morador de Avaré e Alexandre Monteiro de Lima, 38 anos, de Itaquaquecetuba. Dois dos criminosos baleados e mortos, Adriel Lopes Custódio, 23 anos, e Leandro Mancuso Andrade, 36 anos, eram de Bauru, assim como o fugitivo, que não foi identificado. O outro homem que morreu no confronto, Anderson Conceição de Lira, 32, era morador de Paulínia.

A PM chegou até a quadrilha por meio de denúncia anônima. Por volta das 11h30, cerca de 15 policiais foram até a chácara alugada pelo bando, na alameda Poriguá, no Vale do Igapó. Quando um deles subiu em uma escada para observar o interior do imóvel, foi recebido a tiros. Marcas de balas por toda a parede interna da chácara e janelas estilhaçadas davam a dimensão da intensidade do confronto.

Ação antecipada

Armados, quatro criminosos chegaram a pular o muro, mas a casa já estava cercada e três acabaram alvejados a alguns metros de distância. Alexandro, Ademir e Luiz Felipe estavam dentro do imóvel, não ofereceram resistência e foram presos. Ronaldo, Pedro e Alexandre, que chegaram em um Cobalt com placas de Paulínia logo após a abordagem, também se renderam.

“Esta ação antecipada da Polícia Militar preveniu um possível confronto em um local de grande circulação de pessoas. Conseguimos, portanto, evitar um grande risco à população, já que, certamente, esta quadrilha utilizaria explosivos e sairia com veículos em alta velocidade, podendo provocar acidentes e ferir pessoas inocentes”, afirma o tenente Osnei Cesetti, comandante de Força Patrulha.

O helicóptero Águia chegou a ser acionado para tentar encontrar o integrante da quadrilha que fugiu, mas nenhum suspeito foi localizado. De acordo com Cesetti, um homem que transitava de motocicleta pelo Vale do Igapó foi alvo de uma tentativa de roubo próximo ao horário em que o tiroteio ocorreu.

“O motociclista viu que o assaltante estava armado, mas arriscou e decidiu fugir”, comenta. O tenente acredita que o autor do crime  seja o integrante que conseguiu escapar e pretendia usar o veículo para fugir dos policiais. Mas, depois do roubo frustrado, é possível que ele tenha deixado o bairro a pé.

Antecedentes

João Rosan
Delegado Richard Serrano

Segundo o delegado Richard Serrano, os seis homens presos responderão a inquérito por receptação, associação criminosa, porte de arma de fogo de uso restrito e tentativa de homicídio. “Agora, iremos investigar quem são estes indivíduos, se já cometeram crimes semelhantes (explosões de caixas eletrônicos) em outras cidades e em que circunstâncias os dois veículos que estavam com eles foram roubados”, aponta.

De acordo com a Polícia Militar, dos seis presos, cinco tinham antecedentes criminais. Ronaldo e Pedro possuíam passagens por assalto a banco e associação criminosa, Alexandre por dois homicídios, Alexandro por roubo e Luiz Felipe por receptação.

Fuzis e disfarces

A quadrilha estava munida de um arsenal de grosso calibre, que foi apreendido durante a ação. Além de dois fuzis calibre 762, foram recolhidos um revólver calibre 38, uma pistola 380, uma pistola 9 milímetros, 2 pistolas .40, cerca de 100 munições de diversos calibres, um colete balístico e mais de R$ 3 mil em dinheiro.

João Rosan
Marcas de balas por toda a parede interna da chácara e janelas estilhaçadas davam a dimensão da intensidade do confronto

No local, foram encontrados, ainda, três jalecos de enfermagem e um estetoscópio, além de roupas e calçados sociais, que possivelmente seriam usados como disfarce para a explosão dos caixas eletrônicos.

Na garagem da chácara, havia dois veículos roubados: um Vectra de Vitória da Conquista (BA), com placas adulteradas, e um Siena com placas de São Paulo. Assim como o Cobalt em que três criminosos estavam no momento da abordagem policial, um Logan com placas de Bertioga (SP) tinham documentação regularizada. A PM acredita que os dois primeiros veículos seriam usados para a execução do crime e, posteriormente, abandonados, para que os dois automóveis sem restrições criminais ou administrativas fossem utilizados na fuga.

Cães farejadores

A chácara alugada pela quadrilha está encravada em uma área de cerrado, de difícil acesso, possivelmente escolhida por sua localização estratégica: uma região isolada, próxima do alvo dos criminosos e às margens de uma rodovia duplicada, o que facilitaria a fuga.

Nesta área cercada de mata, localizar o suspeito foragido, bem como entorpecentes e explosivos que pudessem ter sido dispensados ou escondidos se tornou uma tarefa árdua para os policiais. Além do helicóptero Águia, um labrador e um pastor alemão do Canil da PM foram utilizados nas buscas, mas nada foi encontrado.

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