Com 90% das agências bancárias de Bauru fechadas, conforme atualizou ontem o sindicato da categoria, a greve dos bancários já completa duas semanas e não há previsão de término. Sem nenhuma negociação realizada ou prevista para os próximos dias, os funcionários permanecem de braços cruzados.
“Enquanto não houver proposta que nos agrade, a paralisação continua”, reforça um dos diretores do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP Conlutas, Carlos Alberto Castilho. Ele afirmou que, até ontem, a entidade contabilizava o fechamento de 65 das 72 agências e outras unidades de atendimento ao público, o equivalente a 90% do total.
Novamente, a Federação Nacional de Bancos (Fenaban) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informaram que não divulgam balanço sobre a greve em Bauru que possa confirmar ou refutar os números apresentados pelo sindicado.
Sem movimento
A reportagem do JC percorreu, ontem pela manhã, agências no Centro e na região do Jardim Estoril 4 e se deparou com pouco movimento nos bancos. Há ainda, contudo, os quem se sentem prejudicados com a paralisação, como é o caso do empresário Pedro Siqueira, 29 anos.
| Douglas Reis |
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| Pedro não pagou o financiamento: “Terei de pedir outro boleto” |
Ele tentava, em uma agência localizada na quadra 6 da rua Rio Branco, quitar um boleto de financiamento, vencido na sexta-feira. “Tentei pagar no caixa eletrônico, mas não consegui. Agora terei de ligar no correspondente e pedir outro boleto”, disse.
Em outro banco, na mesma rua, só que na quadra 25, próximo à Praça Portugal, o professor de artes marciais Hudson Willian Sena, 35 anos, disse não estar sendo prejudicado com a paralisação.
“Só vim aqui porque a lotérica não aceita depósito com valor superior a R$ 1.500,00. Faço todo serviço bancário pela Internet. Aliás, acho coerente as reivindicações, pois o banco é o setor que mais lucra e, mesmo assim, falta investimento no salário dos bancários”.
Reivindicações
A categoria luta por reajuste de 32,21%, que inclui as perdas salariais referentes aos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), a inflação dos últimos 12 meses e o aumento médio do recebimento dos ativos dos 15 maiores bancos. Os bancários também propõem a Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) linear, além do fim das metas, das terceirizações, das demissões imotivadas e da mesa única de negociações.
Em nota enviada ontem, a Febraban declara que a proposta econômica apresentada pelo órgão prevendo reajuste salarial, pagamento de abono e participação nos lucros (PLR), foi recusada pelas lideranças sindicais. “A Federação aguarda uma nova proposta dos bancários para que possamos prosseguir nas negociações que resultem em acordo”, diz ainda a nota.
