Oficializado, ontem, como novo treinador do Paschoalotto/Bauru, confirmando o que o Jornal da Cidade divulgou na edição do último sábado, Demétrius Ferracciú chega a Bauru amanhã para começar o trabalho com a equipe a menos de duas semanas da estreia do Paschoalotto no NBB, no dia 3 de novembro, contra o Flamengo. Em entrevista por telefone ao JC, Demétrius comentou sobre as expectativas e projetou o trabalho que pretende desenvolver no comando do Bauru. O técnico retorna à cidade onde começou a jogar basquete nas categorias de base da Luso.
| Orlando Bento/Divulgação |
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| O novo treinador do time bauruense acertou, ontem, seu desligamento do Minas Tênis Clube, e será apresentado amanhã |
Demétrius destaca que a base do Paschoalotto joga junta há um bom tempo e o fato de já ter trabalhado com boa parte da equipe, o que simplifica e agiliza o período de adaptação na curta pré-temporada que terá antes do NBB. “É um time onde todos já se conhecem. Tem também uma certa facilidade pelo fato de eu também conhecer boa parte dos jogadores, já trabalhei com a maioria em seleção brasileira. Isso pode facilitar uma adaptação mais rápida”, projeta.
O técnico avalia que não haverá dificuldade para o elenco na transição de trabalho que o time passa. “Eu já trabalhei com quase todos que estão aí. Já joguei contra o Alex em clube e junto com ele na seleção, já joguei com o Murilo em Franca e na seleção... É bom, porque já temos um convívio, um respeito e uma sintonia como jogador e técnico”, avalia.
Demétrius chega a Bauru preparado para trabalhar com o elenco que o Paschoalotto possui atualmente. Em conversas com a diretoria, o treinador foi informado que, a princípio, o time não pensa em contratações, já que não existe espaço no orçamento.
Ao assumir o comando do Paschoalotto, Demétrius vai encontrar um elenco bastante experiente, justamente o contrário do perfil do grupo do Minas, que conta com jogadores jovens. O técnico avalia que a equipe mais madura propicia mais “ferramentas” para sair de situações adversas. “O time experiente sabe fechar jogo, conduzir a partida, lida bem com uma situação de adversidade. Com base nesta experiência, em conversas, vamos entrosar e colocar a equipe da maneira que achamos melhor para termos bons resultados”, destaca.
Em casa
Formado nas categorias de base da Luso, onde jogou dos oito aos 14 anos, Demétrius mostra satisfação de voltar à cidade onde começou no basquete. “Eu me senti muito à vontade para aceitar este convite, pelo carinho que a cidade tem comigo, pelos amigos que tenho em Bauru. Isso fez eu me sentir melhor ainda para tomar esta decisão e, com certeza, vamos continuar tendo esta afinidade”, aposta.
O técnico volta a Bauru, onde se sente em casa. “Vai ser muito bom rever os amigos e relembrar os momentos que eu passei. Só tenho a agradecer, porque foi onde me projetou para o cenário nacional. É muito gratificante”, celebra. Demétrius volta ao Ginásio Panela de Pressão, onde é pé-quente. Foi no local, ainda dirigindo Limeira, que o treinador conquistou o título dos Jogos Abertos do Interior, em 2012. “É um lugar onde me sinto bem à vontade e isso pode ajudar bastante”, conclui.
Trajetória vitoriosa
O Paschoalotto/Bauru é o terceiro time na carreira de treinador de Demétrius Conrado Ferracciú. Aos 42 anos, o técnico chega para comandar o forte elenco bauruense pelas próximas duas temporadas. Na temporada 2015/16, Demétrius, natural de São Paulo, terá pela frente o Novo Basquete Brasil e a Liga das Américas.
Na última temporada do NBB, Demétrius liderou o time do Minas e conquistou a quinta colocação. Antes, comandou o Limeira, onde permaneceu por quatro temporadas e foi campeão paulista em 2010 e dos Jogos Abertos do Interior, em 2012. Demétrius também faz parte da comissão técnica da atual seleção brasileira, como assistente de Rubén Magnano.
Como jogador, o então armador conquistou seis títulos nacionais, sendo três deles com Franca, dois com o Vasco e um com o Telemar (RJ), entre outras conquistas. Com a camisa da Seleção, Demétrius disputou as Olimpíadas de Atlanta, em 1996, dois Mundiais, em 1998 e 2002, foi tricampeão sul-americano, em 1993, 1999 e 2003, e conquistou o bicampeonato Pan-Americano, em Winnipeg 1999 e Santo Domingo 2003.
Gestor descarta desmanche do time
O gestor do Paschoalotto, Vítor Jacob, nega que a mudança de filosofia do time seja baseada em trabalhar com jogadores jovens. “A maioria de nossos jogadores têm dois, três anos de contrato. Nosso elenco é bastante experiente. Não tem mudança de filosofia. Vamos colocar jogadores novos do mesmo jeito que sempre foi, ir evoluindo, crescendo, nada que vá mudar do dia para a noite nosso sistema de trabalho”, declara.
O gestor afasta também a possibilidade de um desmanche no elenco, pelo menos nos próximos dois anos, prazo dos atuais contratos. “Temos contrato longo com patrocinador, com atletas e nossa ideia é continuar buscando títulos nacionais, que nos credenciem a títulos internacionais. Não existe mudança de filosofia de trabalho. Eu ouvi algumas coisas assim, mas não tem nada a ver. A ideia de mudar o treinador é talvez mudar o sistema de jogo, dar nova motivação dentro do grupo. Nada traumático”, garante Jacob.
O dirigente descarta a possibilidade de reforçar o time com nomes indicados pelo novo técnico, Demétrius Ferracciú. “Não temos orçamento para isso. Até o final do NBB não pensamos em contratar.”
