Polícia

Após "saidinha", mais de 1,5 mil porções de droga são achadas no CPP-3

Ana Borges e Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Com o fim da “saidinha”, os detentos do Centro de Progressão Progressiva 3 (CPP-3, antigo IPA) de Bauru retornaram ao sistema prisional. Porém, após a primeira vistoria após o benefício, os agentes localizaram 1.461 porções de maconha e 138 porções de cocaína. As drogas estavam escondidas em diversos lugares e foram encontradas na última quarta-feira (21) pela manhã.

Segundo consta no registro da polícia, após a volta da saída temporária do Dia das Crianças, foi realizada uma revista na unidade prisional, momento em que os entorpecentes foram encontrados. Os “donos”, segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), já foram identificados, porém, seus nomes não foram divulgados. Toda a droga foi apreendida pela Polícia Civil, onde o caso foi registrado.

Em nota, a assessoria da SAP esclarece ainda que, mais uma vez, o trabalho dos agentes impediu a entrada de substâncias ilícitas em uma unidade prisional. Em relação às medidas adotadas, a instituição instaurou processo disciplinar em desfavor dos presos, comunicou a Justiça, transferiu os detentos para pavilhão disciplinar e lavrou boletim de ocorrência (BO).

Além disso, a SAP informa que utiliza a política de tolerância zero quando o assunto é a entrada de objetos ilícitos nas unidades prisionais. Todos os estabelecimentos do Estado são equipados com aparelhos de raio-X de menor e maior porte, bem como detectores de metal de alta sensibilidade.

O órgão acrescenta ainda que as revistas periódicas dentro dos presídios, realizadas pelos agentes, com o apoio do Grupo de Intervenção Rápida, completa esse esforço de controlar a entrada de objetos ilícitos nas unidades. Todos os presos que são surpreendidos com drogas respondem criminalmente.

Além de sofrer sanções disciplinares, os detentos perdem os benefícios conquistados durante o cumprimento da pena. A assessoria de imprensa da SAP argumenta também que as unidades penais de regime semiaberto não dispõem de vigilância armada e não são cercadas por muralhas, fato que facilita a prática desse tipo de crime.

Possibilidades

Questionado sobre o assunto, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Penitenciário Paulista (Sindicop) de Bauru,  Gilson Pimentel Barreto, teoriza sobre as maneiras pelas quais as drogas entraram na unidade prisional. Uma das possibilidades diz respeito à extensão do antigo IPA.

“É uma área de mato e alguém pode ter jogado as drogas nas proximidades. Os presos que retornaram da ‘saidinha’ poderiam ter acesso a esses locais, já que não são escoltados até o interior da unidade, ora pelo quadro deficitário de agentes, ora pelo fato de ser uma grande quantidade de detentos”, observa.

Barreto não descarta a possibilidade de que alguns presos tenham escondido as drogas em partes internas do corpo, embora os agentes penitenciários os submetam a vistorias pessoais e íntimas antes de retornarem ao estabelecimento prisional. “Para coibir esse tipo de situação, os agentes realizam vistorias periódicas, principalmente, quando os presos voltam”, finaliza.

97 não voltaram

Entre sexta e segunda-feira, conforme o JC noticiou, os detentos do regime semiaberto deixaram as três unidades prisionais de Bauru temporariamente. A “saidinha” do Dia das Crianças beneficiou 3.569 reeducandos, conforme dados divulgados pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), mas 97 não retornaram.

Do total de beneficiados em Bauru, 1.315 saíram do Centro de Progressão Penitenciária 1 (CPP-1), onde há 1.710 presos. Contudo, 36 homens não retornaram. Em relação ao CPP-2, que possui 1.714 reeducandos, saíram 1.320, mas 39 também não voltaram. Por fim, quanto ao CPP-3, 934 detentos saíram do local, que tem 1.113 detentos, e 22 não voltaram.

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