| Malavolta Jr. |
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| Juliana mostra documento que garante o recebimento das insulinas: “Será que preciso morrer?” |
Dependente de medicamentos e produtos para o controle do diabetes, Juliana de Brito Piagente, 21 anos, vive uma situação delicada. Portadora da doença desde os 9 anos, ela faz uso de insulinas, recebidas gratuitamente do Estado, através de solicitação administrativa. Acontece que a paciente ficou quase três meses sem retirá-las em uma unidade do Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6). A justificativa: os produtos estão em falta.
O mesmo impasse é vivido pelo oficial de apoio agropecuário Miqueas Pedro Peres, 62 anos. Além das insulinas, ele alega que, desde agosto, o DRS-6 não disponibiliza seringas e lancetas (para furar o dedo). No caso dele, os produtos são garantidos por meio de ação judicial. Parte dos medicamentos foram liberados na última quarta-feira (21), após o JC entrar em contato com o Estado.
Em relação à Juliana, ela retira os insumos (tiras reagentes, seringas, entre outros) em um posto municipal localizado no bairro Mary Dota, através do Programa Nacional de Diabetes, sem que haja, entretanto, a necessidade de ações judiciais.
Porém, sem insulina, tanto Juliana quanto Miqueas tiveram que “se virar” nesses últimos meses para “driblar” os sintomas da doença. “Estou passando mal direto”, relata Juliana, que sofre de diabetes tipo 1, quando há perda total da capacidade do pâncreas produzir insulina. “Será preciso morrer para que algo seja feito?”, critica.
Quando completou 18 anos, a jovem passou a receber os medicamentos da Secretaria Estadual de Saúde, por meio da Coordenação de Demandas Estratégicas do Sistema Único de Saúde (Codes), pois a medicação custa em torno de R$ 2 mil mensais.
“Estou sem [a medicação] há quase três meses e falam que não tem previsão de chegar. Desde então, pego uma insulina bem inferior a que estava usando em uma farmácia popular e, por isso, tenho passado mal”, reclama.
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| Miqueas chegou a registrar BO: “Seringa eu tenho só pra hoje” |
Mesmo problema
A situação de Miqueas Peres é semelhante a de Juliana. Portador de diabetes há 30 anos, ele também recebe os medicamentos e produtos do Estado. A liminar concede a ele, por mês, 150 tiras reagentes, duas injeções, 60 seringas e 150 lancetas. Desde agosto, Miqueas tem enfrentado dificuldades para adquiri-las.
“As fitas (reagentes) estão em falta há dois meses. Seringa eu tenho só pra hoje (terça). As lancetas consigo de vez em quando. Isso não é de agora. Sempre tem problemas”, pontua Miqueas, contando que precisa “dar seus pulos” para controlar a doença.
“Procuro reaproveitar alguns produtos ou preciso emprestar de alguém. Enfim, a gente acaba desembolsando o que não tem. É complicado”. No mês passado, ele chegou a registrar um boletim de ocorrência (BO) na Polícia Civil.
Desabastecimento de insulinas foi causado por excesso de demanda, afirma Secretaria
Após ter conhecimento da situação de Juliana e Miqueas, o Jornal da Cidade entrou em contato, na terça, com a Secretaria Estadual de Saúde e expôs os casos. No dia seguinte, os pacientes conseguiram parte dos medicamentos.
Em nota, o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Bauru esclarece que a dispensação das insulinas à paciente Juliana de Brito Piagente não se dá através de atendimento à demanda judicial.
“Ela é atendida por meio de canal de solicitações administrativas de medicamentos não contemplados na lista federal, que são avaliados individualmente, conforme evidências científicas sobre a eficácia terapêutica e custeados pelo tesouro estadual”. O órgão informou ainda que uma das insulinas, a Lispro, foi entregue à paciente. “Somente a insulina Glargina, na apresentação refil, não foi fornecida devido a um desabastecimento, ocasionado por excesso de demanda”, acrescenta.
“Porém, a paciente já foi contatada e concordou em receber a apresentação desta insulina caneta, já disponível a partir desta semana”, pontuou o órgão.
Na terça
Em relação a Miqueas, a Secretaria disse que ele retirou as insulinas Glargina e a Lispro, em atendimento à determinação judicial, nesta terça. “Estes itens não fazem parte da lista de medicamentos e insumos definida pelo governo federal para distribuição gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, informa o órgão.
Com relação a seringas e lancetas, o DRS informa que também houve um desabastecimento pontual devido a excesso de demanda em Bauru, porém, a Secretaria alega que os itens já foram remanejados de outra farmácia do Estado e, assim que estiverem disponíveis, o paciente será avisado.
“Vale destacar que estes itens constam do Programa Nacional de Diabetes, podendo ser retiradas em postos de saúde municipais, sem necessidade de ações judiciais”, descreve o órgão, em nota.

