Política

Inquérito no MP vai apurar fita com suposto pedido de propina

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan
Promotor da Cidadania, Fernando Masseli Helene instaurou inquérito civil nessa sexta-feira (23)

O suposto caso envolvendo a cobrança de propina por dois agentes políticos de Bauru, noticiado com exclusividade na edição dessa sexta-feira (23) do Jornal da Cidade, chegou ao Ministério Público (MP). Curador da Cidadania, Fernando Masseli Helene instaurou inquérito civil e remeteu cópias para a Promotoria Criminal.

Helene diz que ainda não teve acesso ao vídeo que revelaria a possível negociação financeira para garantir a concessão de área municipal a uma empresa privada. A disponibilização do material foi requerida ao jornalista e denunciante Pedro Valentim, que esteve na sede do MP na tarde dessa sexta, mas será oficialmente ouvido sobre o assunto na semana que vem.

As imagens só serão entregues ao promotor após a conclusão da perícia à qual estão sendo submetidas, o que deve ocorrer ao longo dos próximos dias. Há a expectativa de que o presidente da Câmara Municipal, Faria Neto (PMDB), também receba a suposta fita até a próxima quinta-feira (29).

Enquanto não chegam informações objetivas sobre o caso, as especulações ganham força e dimensão. O assunto tomou conta das rodas de conversas no meio político, repetindo o furor observado nos corredores da sede do Poder Legislativo na tarde de anteontem, quando começaram a ser disseminadas as primeiras informações sobre a tal fita.

MOVIMENTAÇÃO

A possível denúncia veio a público após Valentim ter solicitado reunião com Faria Neto, adiantando a pauta do encontro à secretária do chefe do Legislativo. O ativista, porém, não conversou imediatamente com o parlamentar que, no momento, estava em seu gabinete em reunião.

Ao Jornal da Cidade, Valentim explicou, na última quinta-feira (22), que antes de disponibilizar a gravação espera resultado da avaliação de um perito que apontará se o material não foi alvo de montagens ou trucagens.

O material, de origem apócrifa, teria 42 minutos de gravação, com cortes e sinais de edição. “Em alguns momentos, há pessoas que aparecem e depois não estão mais lá. Então, estou me cercando de todos os cuidados necessários, até por orientação da Abraji [Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo]”, adiantou o jornalista.

Por esse motivo, contudo, o denunciante também tem se recusado a revelar quem são os dois agentes políticos que aparecem no vídeo, bem como os cargos que por ventura exercem.

Valentim garantiu que sua intenção era de que a informação sobre o vídeo só viesse a público após a validação da perícia, dizendo que o vazamento teve origem na própria Câmara Municipal.

Prefeito: triste...

Ao comentar o caso pela primeira vez, na tarde dessa sexta, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) disse estar “triste” diante dos rumores. “Quando vereador, passei por situações semelhantes na Câmara e não é uma coisa legal”. Ele garante ainda que se o teor da possível gravação audiovisual revelar problemas referentes ao Poder Executivo, tomará todas as providências cabíveis.

Uma das poucas informações obtidas até agora sobre o caso é de que a negociação de propina envolveria a concessão de áreas públicas municipais para entes privados. Pelo rito legal, esses processos são de iniciativa exclusiva do prefeito, mas dependem de aval do Conselho de Apoio ao Desenvolvimento Municipal (Cadem) e, posteriormente, apreciação dos vereadores.

Comentários

Comentários