Cultura

Trocadilhos poéticos

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Não são apenas as telas da TV e dos jogos eletrônicos que deixam os olhinhos dos pequenos brilhando. Criança gosta, sim, de histórias bem contadas, rimas e brincadeiras com palavras, desenhos coloridos e poesias, que fazem rir, usar a imaginação, aprender, sonhar...

E é nesse contexto poético e divertido que Jacqueline Salgado lança seu 5º livro infantil, “Trocadilho”, com ilustrações de Taline Schuback.

A obra é uma das três ganhadoras do 1º Prêmio Saraiva de Literatura e Música, na categoria Literatura infantil - Poesias, e acaba de ser publicada pelo selo infanto-juvenil da editora, o Formato.

“É uma oportunidade a ser agarrada com as duas mãos! Foi o prêmio mais importante que obtive e o livro com a maior capacidade de distribuição por conta da Saraiva. É um estímulo e tanto para qualquer escritor”, comemora Jacqueline.

A autora, que é mineira de Viçosa, saiu de Belo Horizonte (MG), onde se graduou em Belas Artes, para acompanhar o marido, após um convite profissional, e aqui vive (e escreve) há três anos.

“Bauru me deu a paz que eu precisava para colocar em prática a ideia desse livro e de muitos outros que nasceram aqui. Fiz amigos, sou muito feliz aqui e grata por tudo que a cidade me proporciona”, comenta. A reportagem do Jornal da Cidade conversou com a autora. Confira na seguir:

1. Como começou a escrever poesias para crianças?

“Escrevo para crianças desde criança! Aos 6 anos, assim que fui alfabetizada, comecei a escrever poemas e distribuir na sala de aula os meus livrinhos, como uma espécie de cordel, ilustrados um a um e grampeados. Profissionalmente, estou no meu 5º livro infantil, sendo o primeiro deles publicado em 2010.

 

2. Que temas aparecem mais?

“Trago para minha escrita parte de tudo que vivenciei e experimentei na infância. Por isso, o leitor vai se deparar com muitos bichos, reflexão de criança, coisas e ideias que nos fazem rir, pensar, se emocionar e até filosofar. O ‘Trocadilho’ é mesmo uma brincadeira delicada em forma de versos!”

 

3. O que é mais difícil ao conversar com esse público?

“O poeta só precisa ter a preocupação de versar com olhos e o coração de criança. Talvez esse seja o maior desafio, porque muitos adultos perdem essa visão ao longo dos anos, e poesia para esse público precisa de encantamento”.

 

4. Como crianças se relacionam com a poesia?

“Crianças gostam de poesia. Percebo isso com meus três filhos, com os alunos de arte que tive, onde sempre dava um jeito de inserir poesia nas aulas. Acho que o poema aproxima a criança do autor, porque conversar através de versos nos traz intimidade, cumplicidade, a criança entra na fantasia e na delicadeza do poema muito mais facilmente que o adulto, que considera poesia muitas vezes, complicada. Toda criança é um pouco poeta!”

 

5. Como despertar o interesse delas?

“Os livros nunca serão substituídos pelo mecanismo eletrônico. As outras formas de diversão, eletrônicas ou não, sempre estiveram presentes nas nossas vidas. Cabe a nós, pais, professores e escritores trabalharmos para construir um país de leitores. Que as crianças continuem a brincar da forma que lhes convêm, mas sempre em contato com os livros”.

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