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Redução de mortes nas rodovias de SP

Archimedes Raia Jr.
| Tempo de leitura: 3 min

Ao longo dos anos, temos sido críticos com os órgãos gestores de trânsito ao analisarmos os números assustadores da insegurança de trânsito no Brasil. Para sermos honestos e manifestando a nossa satisfação, apresentamos os dados divulgados pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), que apontam para a redução de acidentes, feridos e mortes nos 6.400 quilômetros de rodovias concessionadas paulistas.


De janeiro a agosto de 2014, aconteceram 34.212 acidentes; em 2015, no mesmo período, registrou-se 30.601, uma redução de 11%. As vítimas com ferimentos, no mesmo período, foram 12.870, em 2014, e 11.438, em 2015, com uma queda também de 11%. O número de mortos nas rodovias paulistas, em 2014, foi de 722, enquanto que, em 2015, foi de 572, uma diminuição significativa de 21%. 150 vidas foram poupadas e isto é extraordinário, pois a vida humana é um dom de Deus e precisa ser preservada.


Os atropelamentos corresponderam a um quarto do total de acidentes em 2015; 19%, colisões traseiras; 13%, choques; 7%, capotamentos e, outros tipos de colisões, 36%. A principal causa dos atropelamentos se deve aos trechos urbanos de rodovias, razão pela qual são justificadas as reduções de velocidade permitida nessas áreas.


Com relação às colisões traseiras, o principal motivo é a inobservância da distância de segurança em relação ao veículo que circula à frente. Boa parte dos acidentes também é motivada pela ingestão de bebidas alcoólicas, apesar da existência da Lei Seca. Muitos condutores ainda não se conscientizaram da necessidade imperiosa de não dirigir após beber.


As razões para a queda da acidentalidade podem ser diversas. No entanto, um fator se destaca, a redução de 6% do volume de veículos pesados - ônibus e caminhões - circulando pelas rodovias, devido à crise econômica. Os veículos pesados contribuem com, aproximadamente, 33% dos acidentes. Por outro lado, o volume de veículos leves cresceu 1,2%.


Adicionalmente, outros fatores podem ser elencados na tentativa de se buscar os motivos para estas quedas na acidentalidade viária: a diminuição de veículos implica em menor número de conflitos, por conseguinte, menos acidentes. Há que se ressaltar a realização de campanhas visando à conscientização dos condutores, de maneira geral.


O uso mais consciente dos cintos de segurança também pode ter contribuído, principalmente considerando o uso dos cintos traseiros, que cresceu de 56%, em dezembro de 2014, para 62%, em agosto de 2015. O cinto de segurança é considerado uma das maiores e mais eficientes invenções para a redução de morbimortalidade no trânsito, em todo o mundo.


Há que se reconhecer que o nível de qualidade na construção e manutenção destas rodovias concessionadas tem se mantido em patamares elevados. Também é muito importante o socorro prestado aos feridos que, realizado de forma adequada, ajuda a preservar a integridade do ferido, bem como o agravamento dos ferimentos que poderiam conduzir à mortes.


Há, neste momento, a necessidade de se enaltecer a redução da acidentalidade. Porém, estes dados são parciais e envolvem um período relativamente curto para se estabelecer uma tendência estatística consistente. Vamos aguardar para ver se esta tendência veio para ficar ou terá sido apenas “sonhos de uma noite de verão”.


O autor é professor da UFSCar, mestre e doutor em engenharia de transportes, diretor de Mobilidade da Assenag e articulista do JC

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