Regional

Polícia Civil investiga se apagador causou morte de estudante em Ibitinga

Ana Borges com Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução/Facebook
O estudante Fernando Fragali começou a passar mal após

ser atingido por apagador em escola estadual de Ibitinga

A Polícia Civil de Ibitinga (90 quilômetros de Bauru) instaurou inquérito para apurar as causas da morte do estudante Fernando Fragali, de 15 anos. Na última quinta-feira (21), ele foi atingido na cabeça por apagador lançado por um colega de classe e começou a passar mal. O adolescente foi socorrido e transferido para a Santa Casa de Araraquara, mas morreu dois dias depois.

O incidente ocorreu no último dia 22, por volta das 8h45, na Escola Estadual Professor Ariovaldo da Fonseca, que fica no Conjunto Paulo Biasi. De acordo com informações do boletim de ocorrência, o professor deixou a sala de aula por alguns instantes e os alunos começaram a arremessar o apagador na direção da lousa.

Durante a “brincadeira”, um dos meninos acabou atingindo Fernando na cabeça. Na sequência, o estudante começou a passar mal, com vômitos e convulsão. Quando o professor retornou à sala e soube do ocorrido, avisou a direção. A mãe do adolescente foi chamada, mas não foi reconhecida pelo filho, que apresentava confusão mental.

Fernando foi levado ao Pronto-Socorro (PS) local e, devido à gravidade do quadro, transferido para a Santa Casa, onde não houve melhora.

Viatura quebrou

Na sexta-feira (23), ele conseguiu vaga na Santa Casa de Araraquara, mas viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que fazia a remoção do adolescente quebrou na rodovia. Segundo boletim de ocorrência, o imprevisto atrasou em duas horas a transferência da vítima.

Solucionado o problema, Fernando foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Araraquara, mas, no sábado (24), por volta das 21h, o quadro de saúde dele piorou e ele acabou morrendo.

O fato gerou grande comoção nas redes sociais e muitos amigos lamentaram a perda do jovem. Cerca de 300 pessoas acompanharam o enterro do adolescente no domingo (25), a maioria alunos da escola onde ele estudava.

O corpo de Fernando foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Araraquara para realização de exame necroscópico. Bastante abalada com a morte do filho, a mãe do estudante não quis gravar entrevista.

A direção da escola lamentou a morte do adolescente. “Todo apoio e solidariedade estão sendo prestados aos familiares e o caso é investigado pela polícia”, declarou. “A Diretoria Regional de Ensino de Taquaritinga também instaurou apuração preliminar. A administração regional e a direção da unidade permanecem à disposição da família”.

Delegado diz que objeto de madeira acertou uma parte frágil do cérebro

O delegado responsável pelas investigações, Márcio Leandro Moretto, conta que soube do incidente na escola somente após a comunicação do óbito de Fernando. “Nem a Polícia Civil e nem a Polícia Militar foram informadas desse ocorrido”, diz.

Segundo ele, apenas o laudo do IML, que deve ficar pronto em 30 dias, poderá esclarecer se a morte foi realmente causada pelo golpe do apagador. “É um objeto de madeira, que foi arremessado com certa força e acertou ele na têmpora, que é uma parte mais frágil do crânio”, afirma.

“A linha principal é que tenha sido um trauma decorrente da pancada que ele levou com o apagador, que é o mais provável. Também tem que ser levado em conta se ele tinha alguma doença ou, eventualmente, embora essa hipótese me pareça inverossímil, se o adolescente fazia uso de drogas, que acredito que é só um comentário feito na rede social”.

Moretto explica que, como a morte do estudante foi registrada na delegacia de Araraquara, também não teve acesso ainda ao prontuário médico dele e atestado de óbito. “A gente instaurou o inquérito, apuramos quem foi o adolescente que lançou o apagador e ele já foi ouvido”, informa.

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