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Pets: falta de campanha não coloca a população em perigo

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno Jr./Arquivo
Campanha de vacinação realizada em 2005 no distrito de Tibiriçá: cena, agora, não se repetirá

A suspensão da Campanha de Vacinação Antirrábica Animal em Bauru não deixa a população e os animais domésticos saudáveis em grande risco de contrair a doença. É o que garantem especialistas ouvidos pelo JC, após a Divisão de Vigilância Ambiental, vinculada ao Departamento de Saúde Coletiva da Secretaria Municipal de Saúde, anunciar que a imunização não seria realizada em novembro por não haver previsão para recebimento das vacinas, que são importadas e distribuídas pelo Ministério da Saúde.

Professor doutor do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), Eliseu Alves Waldman destaca que a raiva está controlada em todo o País há muito tempo e que a vacinação anual, embora importante para garantir a continuidade destes resultados, não é imprescindível.

“O risco de contaminação é muito baixo. Se a cobertura (de vacinação) no ano passado foi boa, a maioria da população canina deve seguir protegida ao menos pelos próximos meses”, sustenta.

Segundo o Ministério da Saúde, o Estado de São Paulo só deverá receber as doses da vacina a partir de novembro, mas o JC apurou que a efetiva entrega poderá ocorrer somente no início do ano que vem. Em 2015, a meta era imunizar 34 mil dos 42.420 cães e gatos existentes em Bauru – o equivalente a 80% do total.

No ano passado, de acordo com a Divisão de Vigilância Ambiental, foram vacinados 29.594 animais, resultando em uma cobertura de 65% da população de cães e gatos.

Dados do Ministério da Saúde demonstram que, em 2015, apenas um caso de raiva humana foi registrado no País. O Estado de São Paulo, contudo, não apresenta a doença em humanos desde janeiro de 1997. E, em 1998, o último caso de transmissão de cão para cão ocorreu.

Barreira imunológica

O professor doutor Cassiano Victória, do Departamento de Higiene Veterinária e Saúde Pública da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), aponta que a vacinação contra a raiva é a maneira mais eficiente de controlar a doença, que possui letalidade de quase 100% em animais e seres humanos. Mas, assim como Waldman, ele pondera que o risco de surgimento de casos devido à suspensão da vacina é maior principalmente nos municípios onde o vírus da raiva é circulante.

“E, quando mais de 80% dos animais são vacinados (na campanha anterior), cria-se uma barreira imunológica para a propagação do vírus, pois, se ocorrer um ou outro caso, a raiva não conseguirá se espalhar, já que encontrará animais imunizados que irão interromper o ciclo da doença”, detalha.

Para o médico veterinário Douglas Fernandes Paleari, do Hospital Veterinário da Universidade Paulista (Unip) de Bauru, a revacinação anual de cães e gatos, na verdade, poderia até mesmo ser dispensada, caso o poder público realizasse controle por meio de exame de sorologia, para avaliar o grau de imunidade dos animais que receberam a dose contra a raiva ao menos uma vez na vida.

“É o que ocorre com profissionais, como veterinários, que estão mais expostos à doença. Em seres humanos, este reforço  anual normalmente não acontece.  Mas, como a sorologia é mais cara e demorada do que a aplicação da vacina, a revacinação acaba sendo o método adotado para manter a raiva sob controle em animais”, detalha.

Alternativa

Diante da incerteza sobre a chegada das doses e o consequente início da campanha de vacinação, Douglas Paleari alerta que proprietários de cães e gatos com menos de um ano de idade devem, se possível, procurar clínicas veterinárias particulares para realizar a imunização. “A partir dos quatro meses de vida, é importante que eles sejam imunizados”, frisa, acrescentando que o valor das doses variam entre R$ 30,00 e R$ 40,00.

Todos devem seguir as medidas de prevenção

Conforme o JC divulgou, na última quarta-feira (28), a bióloga Nathalia Salvadeo Parizoto, chefe da seção de controle de zoonoses da Divisão de Vigilância Ambiental de Bauru, também assegurou que a  suspensão da campanha não torna, necessariamente, os munícipes e os animais domésticos mais vulneráveis à raiva, justamente pela ausência de casos em todo o Estado há quase duas décadas.

Mas, ainda que o risco de contaminações seja baixo, Eliseu Waldman e Cassiano Victória ressaltam que a população deve seguir atenta sobre os cuidados a serem adotados para evitar a transmissão da doença, como não tocar em animais estranhos, feridos e doentes ou em qualquer tipo de morcego, vivo ou morto. Outra medida, segundo Victória, é não deixar que animais domésticos saiam à rua desacompanhados.

“Caso perceber que o animal entrou em contato com morcegos, acione a Vigilância Epidemiológica do município e nunca manipule estes animais. Nas prefeituras, existem equipes que podem fazer o recolhimento de morcegos encontrados caídos e encaminhá-los para diagnóstico”, completa o professor.

Em caso de acidentes com mordeduras de animais suspeitos, a recomendação é desinfetar a zona contaminada, lavar a ferida com água e sabão e procurar ajuda médica.

Se a vítima não tiver sido previamente imunizada com a vacina contra a raiva, deve receber uma dose intravenosa de imunoglobulina, que atua na defesa contra o vírus da doença. No período de 28 dias, a pessoa também deve receber cinco doses da vacina contra a raiva.

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