| Quioshi Goto/Reprodução |
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| “Paraquedas” com o filho Leandro, ainda menino |
| Quioshi Goto |
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| Leandro mostra a “Nega Maluca” |
O Centro de Bauru ficou mais triste. Morreu, no final da noite da última quinta-feira (29), em Bauru, o palhaço “Paraquedas”, aos 72 anos. Carlos Alfredo Fogaça, o “Paraquedas”, ficou conhecido pelas apresentações circenses que realizava diariamente no Calçadão da Batista ao lado de sua boneca dançarina, a “Nega Maluca”.
Com a saúde debilitada, Fogaça teve crise de arritmia cardíaca no início do mês e precisou ser levado à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), onde chegou a sofrer um AVC. Como o caso se agravou, foi transferido para o Hospital Estadual (HE), mas a vaga só foi liberada cerca de dez dias depois do pedido.
“No stadual, ele foi internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e o colocaram no coma induzido. O rim parou, o coração inchou e a pressão sempre estava alta. Por volta das 22h30 de ontem (quinta-29), ele sofreu duas paradas cardiorrespiratórias, mas, na terceira, não resistiu”, contou o filho Leandro Fogaça, de 36 anos.
Leandro lembra a trajetória do palhaço “Paraquedas”, que foi proprietário do antigo Circo Teatro Maira, conhecido também como Circo do “Para-Queda”, que teve seu auge nas décadas de 1960 e 1970, com apresentações em dezenas de cidades dos Estados de São Paulo e Paraná.
“Ele nasceu em Itapuí, mas veio a Bauru ainda criança. Aos 14 anos, já corria atrás de circos. Com 16 ou 17 anos, conseguiu montar seu primeiro circo (“Para-Queda”) e percorria toda a região”, conta Leandro. “Foi mais ou menos nessa época que meu pai sentiu a necessidade de uma companheira e criou a Nega Maluca”, acrescenta.
A boneca dançarina foi batizada como “Aracy Balabanian”, em homenagem à atriz global, de quem ele era fã desde jovem. Paraquedas e Aracy passaram anos dançando no Centro de Bauru, o que rendia ao artista popular contratos informais para anunciar lojas do Calçadão da Batista e atrair clientes.
O filho lembra que a última apresentação de Paraquedas na região central da cidade aconteceu há cerca de seis meses, em uma loja no cruzamento das ruas Treze de Maio e Batista de Carvalho.
Herança
Leandro, inclusive, herdou a vocação artística do pai e, atualmente, mantém em Bauru a Companhia de Teatro Xereta. “Ele me batizou como palhaço Xereta quando eu tinha 7 anos e, desde então, não parei mais. Estávamos prestes a estrear um circo juntos”, lamenta o filho, acrescentando que vai manter o projeto em homenagem ao pai.
Durante o velório, nessa sexta-feira (30), Leandro tentava manter o sorriso no rosto, em respeito ao que o pai mais presava dentro de casa: a alegria. “Ele não gostava de ver ninguém triste”.
O corpo de Carlos Alfredo Fogaça foi sepultado nessa sexta, às 13h30, no Cemitério do Jardim Redentor.
Só alegria
“Em casa, a gente ria com ele o tempo todo. Nunca tive tristeza ao lado dele e é assim que quero lembrar do meu companheiro”, declarou a esposa Leonina Maria Fogaça, 73 anos, e revelou, em tom de brincadeira, que não sentia ciúme da Nega Maluca. “Eu achava engraçado. Ele fez tanto sucesso com o povo que, quando parou, me perguntavam: ‘Cadê o Paraquedas e a nega Aracy’? Vai fazer falta”, finaliza.

