| Alex Mita |
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| Wilton e Ana Beatriz são de Boa Vista, Roraima |
Aos seis meses de gravidez, Aline e Wilton descobriram que o bebê nasceria com uma má-formação craniofacial. Na época, tiveram medo do que isso significava e das dificuldades que enfrentariam, mas nenhum dos dois pensou em desistir. “Quando você vê que é sua filha, você faz de tudo por ela. Ser pai é muito mais que só ajudar a mãe”, afirma Wilton Campos, de 22 anos.
A filha dele, Ana Beatriz, nasceu com a síndrome de Goldenhar. Após meses de tratamento com diversos especialistas em Boa Vista (RR), onde moram, ela foi encaminhada para cirurgia no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) de Bauru, o Centrinho.
Ao contrário da maioria dos casos atendidos pelo Centrinho, em que as mães são as únicas responsáveis pelos cuidados dos filhos, Wilton é o cuidador de Ana Beatriz enquanto sua mãe, Aline Neves, trabalha como cabeleireira.
A decisão de quem ficaria em casa cuidando da filha foi lógica. “Minha esposa trabalha fixo há anos no salão, então foi óbvio para mim que era eu quem largaria o emprego para cuidar da Ana. E não me arrependo”, relembra Wilton.
Enquanto era recém-nascida, Ana Beatriz tinha muito refluxo gástrico e não conseguia se alimentar por causa da má-formação da boca, então foi submetida a dois procedimentos: uma traqueostomia, para conseguir respirar com mais segurança e a uma gastrostomia, para conseguir se alimentar via sonda.
Wilton aprendeu com os médicos como alimentar e higienizar a filha. Por causa do refluxo, o cano da traqueostomia que a ajuda a respirar, pode entupir, causando seu sufocamento. “Hoje eu sou especialista. Se ela começa a ofegar, paro em qualquer lugar para fazer a aspiração com o aparelho que sempre carrego comigo”, explica.
“Não vou mentir dizendo que não é cansativo, durmo das quatro às sete e meia da manhã, mas faço de tudo pela minha princesa”, fala.
Eles vieram para Bauru em um jato especial que faz a viagem Boa Vista-Bauru em apenas oito horas. “O que eu falo para todo mundo é que nessa situação, a gente tem que ter mais senso de humor e amar nossos filhos. Se fizer isso, a gente passa por cima de qualquer coisa”, conclui.
