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Ex-portador de hanseníase vai rever família após 56 anos

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 2 min

Douglas Reis
Juliana Poli Figueiredo, Manoel Soares Almeida e Jaime Prado

Este está sendo um ano de muita emoção para Manoel Soares de Almeida, 65 anos, morador de Bauru e ex-portador de hanseníase. Em agosto ele reencontrou um amigo que não via há 37 anos quando, ainda bem novos, ele e Reinaldo Matos Carvalho, 66, conviveram por oito anos, no Hospital Colônia Souza Araújo, em Rio Branco, no Acre.

 
Durante o encontro Manoel Soares contou para o JC  que se separou da família na década de 60, deixou para trás toda a vida que tinha no Acre para vir a Bauru em busca de cirurgias reparadoras na face, no Hospital Lauro de Souza Lima, até hoje uma referência no tratamento desse tipo de doenças.
Quando teve alta, em 1978, continuou na cidade, onde se casou. Agora ele irá rever toda a família no Acre na próxima quinta-feira (5).

A jornada

Manoel embarca para Rio Branco, capital do Acre, acompanhado de Jaime Prado, fotógrafo e funcionário do Hospital Lauro de Souza Lima, que foi quem em maio de 2015 recebeu uma carta de apelo onde Manoel relatava sua história e o desejo de rever os parentes.

Uma avícola da região (Itabom) soube do ocorrido e está patrocinando a ida dos dois. Nesse sábado (31), em entrevista ao JC, Juliana Poli Figueiredo, diretora de comunicação e marketing da empresa,  disse que ficou sensibilizada com a história de vida de Manoel, ao ler a carta dele.

“Nossa empresa, que já tem 30 anos, preza muito os valores e um desses é o valor de família. Não pudemos ficar alheios a essa necessidade”, enfatizou ela, para quem a responsabilidade de cada empresa vai além dos negócios: “É preciso também ter responsabilidade, se envolver em atos solidários, devolver para a sociedade tudo o que se conquista”.

Expectativa

Agora, Manoel está contando as horas para rever nove dos seus irmãos, dois já morreram. Mais velho dos onze filhos, alguns dos irmãos nem haviam nascido quando ele teve a doença diagnosticada.

“A gente vivia no Interior, no meio da mata, meu pai era seringueiro. Para chegarmos a Rio Branco, viajamos em um barco a remo por cinco dias. Meu padrinho foi à procura de um médico, eu não tinha nem como me locomover, meu estado de saúde era muito grave. Fui mandado para o sanatório, onde fiquei por 12 anos até que uma irmã Lúcia me encaminhou para cá. Não tive condições financeiras de sair daqui para rever ninguém”, diz Manoel.

A viagem de volta, no entanto, também exigirá um certo esforço. Além do deslocamento até São Paulo, haverá o trajeto São Paulo – Brasília – Rio Branco de avião e depois mais 240 km de carro até Basileia, no Acre, quase na divisa com a Bolívia, para então chegar à zona rural dessa cidade em um seringal, onde ainda trabalham e moram diversos dos parentes dele.

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