| Quioshi Goto |
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| Thiago Tezani é candidato a presidente da subseção da OAB de Bauru pela chapa “Participa” |
Candidato na última eleição da OAB de Bauru, Thiago Tezani concorre novamente à presidência da subseção. O advogado afirma que sua chapa é a única legitimamente de oposição, apesar de outras três se classificarem como tal, e prega a gestão participativa como um dos principais motes de sua campanha para o pleito, cuja votação está marcada para o dia 18 de novembro.
“Somos um grupo muito grande de profissionais, com um projeto político e não pessoal. Isso nos difere das demais chapas, que estavam, em sua maioria, com a situação e foram rachando”, alega.
Tezani admite que, diferentemente de duas décadas atrás, hoje, a OAB é aberta a todos os advogados. Contudo, as considerações de poucos profissionais são levadas em conta nas tomadas de decisão da diretoria.
“Todo mundo fala, mas quase ninguém é ouvido de fato. A Ordem tornou-se uma dinastia, que vai passando para afilhados, escolhidos como seres ungidos. Queremos algo mais democrático. Isso nos motivou a participar da eleição. Em vez de dialogar com dois ou três advogados, queremos ouvir o maior número possível deles, por meio de uma gestão participativa. Já estamos colocando isso em prática durante a campanha”, explica.
A proposta da chapa é, inclusive, de valorizar as especialidades dos profissionais para promover diálogos com o intuito de sanar problemas e dificuldades específicos de cada área da advocacia. “Se sou criminalista, não consigo tomar sozinho decisões que afetam a atividade dos trabalhistas”, pontua Tezani.
DIA A DIA
O grupo cita, por exemplo, que, na Justiça do Trabalho, audiências são marcadas a cada cinco minutos, algo impossível de se realizar na prática. Para o candidato, a OAB precisa assumir posturas propositivas com o objetivo de modificar essa forma de organização, construindo alternativas junto aos advogados que atuam no rabo, servidores e juízes.
Segundo Thiago, entraves desta ou de outras naturezas acontecem também no Fórum da Justiça Estadual, na Justiça Federal e na Polícia Civil.
“O atendimento e o tratamento dedicados ao advogado são péssimos. Quando um juiz respeita o advogado, o cartório respeita. Quando não, o contrário. Na delegacia, promovem interrogatório sem a presença do profissional e ainda exigem a sua anuência. O profissional tem o direito de conversar e orientar seu cliente”, afirma.
CHAPA 2 – PARTICIPA
Thiago Tezani
Presidente
Jorge Moura
Vice-presidente
Alinne Cardim
Secretária Geral
Evandro Joaquim
Secretário Adjunto
Magali Ribeiro Collega
Tesoureira
Formação
Thiago Tezani critica ainda a pouca atuação da Escola Superior de Advocacia (ESA) em Bauru. Segundo ele, nos últimos três anos, apenas 10 palestras foram promovidas na cidade; todas a partir do último mês de maio. “Ainda assim, não foram custos de formação continuada ou especialização. Isso é inadmissível. Em subseções menores, como Jaú, Botucatu e Marília, há até cursos de pós-graduação, uma promessa da chapa de situação na última eleição”.
O candidato afirma ainda que, com a implantação do processo digital, a advocacia tornou-se uma atividade solitária, com pouca interação entre os profissionais. Por esse motivo, propõe que a OAB seja uma referência, um ponto de encontro para a interação.
“Pouco se vai ao Fórum. Principalmente o jovem advogado não tem com quem conversar, para quem perguntar. E são muitas as dúvidas e dificuldades que surgem ao longo da carreira”, pontua Tezani. A chapa se vale do exemplo da subseção de Presidente Prudente, que promove eventos, convidando juízes, promotores e advogados para trocar experiências, especialmente, com recém-formados.
Comissões como ‘moeda de troca’
A Ordem dos Advogados do Brasil de Bauru possui, atualmente, 49 comissões. Thiago Tezani afirma, porém, que esses grupos têm perdido autonomia de atuação, já que todas as suas ações são submetidas à apreciação do presidente.
Além disso, segundo ele, vêm sendo tratadas como moeda em troca de apoio político. “Eles concentraram as comissões junto a seu grupo de amigos. Esses cargos são importantes, mas são distribuídos entre pessoas nem sempre qualificadas para as áreas de atuação, e sim com sustentação à gestão porque podem trazer notoriedade. Consequentemente, muitas perderam suas finalidades. Criaram tantas que a OAB não tem sequer estrutura para mantê-las. Se todas quiserem se reunir uma vez por mês, não tem sala para comportar”, avalia Tezani.
A chapa avalia ainda que a atual direção se afastou de debates importantes das cidades que compõem a subseção. “Não se discute os problemas do DAE nem da Saúde. Já tivemos envolvimento muito forte por meio da Comissão de Direitos Humanos, por exemplo, que deixou de ser prioridade”.
Esgotamento
Tezani acredita que o projeto político da atual gestão se esgotou e, hoje, é ultrapassado. “Foi importante durante um período. Antes, o advogado não chegava ao andar de cima da OAB, mas não dá mais”.
Ele afirma que, comparando com sua campanha anterior, suas propostas são praticamente as mesmas porque pouco se realizou ao longo dos últimos três anos. “Para variar, o maior legado que estão deixando é a reforma da sede. É um belo prédio, mas sempre inauguram alguma coisa no ano de eleição. As estruturas prediais não precisam de obras faraônicas, mas sim de manutenção constante. Tudo o que a gente abomina na política tem acontecido na Ordem”, diz Tezani.
Prerrogativas
Thiago Tezani propõe intenso trabalho pedagógico com o intuito de disseminar as prerrogativas da categoria. “Muitos colegas e funcionários públicos não as conhecem nem sabem como funcionam. A OAB tem que dar formação e, depois disso, ser intransigente na defesa das prerrogativas”.
O candidato diz que a atual gestão, motivada por “interesses políticos e financeiros”, trata os casos de desrespeito a advogados na base da camaradagem. “Eles resolvem um caso porque conhecem a pessoa, mas isso não garante que o problema não volte a ocorrer. Pelo contrário. A Ordem tem que ser firme: representar nas Corregedorias, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no Ministério Público (MP) e até ingressar com ações civis por improbidade. Se a autoridade viola as prerrogativas, viola também o cliente e, por consequência, a Justiça”.
O grupo pontua que a política omissa da situação prejudica, principalmente, o jovem advogado, que, com medo de retaliações, se submete a situações de desrespeito. “Agem como se tudo estivesse caminhando bem. Contudo, a advocacia segue cada vez mais fragilizada”.
