| João Rosan |
| Eduardo Avallone encabeça a chapa “RenovAção 21” no pleito que acontece no próximo dia 18 |
Com 20 anos de profissão e militância, o advogado Eduardo Avallone elenca sua experiência administrativa à frente de um grande escritório como um de seus trunfos para assumir a presidência da OAB de Bauru, cargo que disputa pela chapa “RenovAção 21”, na eleição marcada para o próximo 18 de novembro. O lançamento da sua candidatura foi motivado pela atual realidade da Ordem: segundo ele, amorfa e longe de realizar seus objetivos na representação da categoria e no enfrentamento de problemas-chave.
“O 21 faz referência ao número da nossa subseção e vai ao encontro do nosso espírito de mudança, inclusive no âmbito moral. Precisamos mudar nossa postura, com o objetivo de efetivamente servir a entidade, que não pode se omitir e deve se posicionar de maneira firme na defesa do Estado Democrático de Direito”, pontua.
Avallone propõe que problemas como o desrespeito às prerrogativas dos advogados sejam tratados em sua causa e não pontualmente. Nesse sentido, ele defende a criação de comissões mistas, formadas pelos profissionais e por integrantes do Judiciário.
“Todas as questões de convívio serão colocadas em pauta, em busca de soluções e de uma relação harmoniosa. Se não resolver, é claro que não vamos abrir mão das medidas de caráter repressivo. O que não dá é para ficarmos de braços cruzados”, explica.
O candidato garante que a mesma estratégia será utilizada com o intuito de sanar conflitos em outros espaços, citando as delegacias de polícia e até a Defensoria Pública. “Hoje, as certidões são expedidas com erros e os advogados demoram dois meses ou mais para receber. Isso é um absurdo”.
CHAPA 4 – RENOVAÇÃO 21
Eduardo Avallone Presidente Cláudia Q. de Toledo Vice-presidente Rafael Thomas Ferreira Secretário Geral Lívia Pelli Palumbo Secretária Adjunta Fábio Gabos Alvares Tesoureiro
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Recepção
A atenção ao jovem advogado também consta no programa de campanha de Avallone, que critica a forma com a qual esses profissionais são recebidos quando ingressam na OAB em Bauru.
“Essa recepção não tem que ser com salgadinho, refrigerante e cerveja, como ocorre atualmente. Na minha gestão, vou entregar uma apostila e marcar um curso. Prerrogativas, ética profissional e honorários devem ser discutidos logo no início da carreira. Isso vai resultar na valorização da classe lá na frente. Na Seccional [de São Paulo], fazem um trabalho extraordinário. Por que não copiam se dá certo?”, questiona.
Avallone defende ainda a carência de cinco anos para que o jovem advogado comece a contribuir com a OAB. A proposta já foi sugerida ao presidente estadual Marcos da Costa, cuja reeleição ele apoia. “Ao longo dos demais 30 anos de contribuição, os valores seriam majorados para manter o mesmo equilíbrio financeiro. Hoje, isso começa no momento mais difícil da carreira do profissional”.
Debate local
Eduardo Avallone afirma que o comando da OAB de Bauru precisa voltar os olhos à realidade, aos problemas e às necessidades locais, citando, por exemplo, a escassez de convênios firmados pela subseção.
“Temos com uma doceria, com uma floricultura, com um buffet e um curso. Este último é bem interessante, mas é muito pouco. O advogado precisa de convênios de todos os gêneros no local onde ele mora: com escolas, cursos de idioma, papelaria. E mais: merece gozar de férias, pagando menos. Por que não firmar convênio com associações de servidores públicos com colônias de férias, já que a classe não possui uma? Temos até um convênio com um hotel em Santa Fé do Sul, mas por que isso não é informado à categoria?”, lamenta.
Ele afirma ainda que, só depois da exposição desta sua proposta de campanha, a atual gestão passou a reivindicar vagas de estacionamento para advogados na Justiça do Trabalho, por exemplo.
O candidato destaca ainda a necessidade de maior atenção às profissionais do sexo feminino, tanto no que se refere ao assédio sexual em ambiente de trabalho quanto aos casos de violência doméstica. “Isso não está longe de nossa realidade e a Ordem não está preparada para auxiliar e respaldar”.
Mais transparência na gestão
Eduardo Avallone prega ainda maior transparência na gestão da OAB de Bauru. A primeira crítica que faz nesse aspecto à atual gestão é a falta de critérios na indicação de profissionais à população. “Se alguém liga lá em busca de um advogado de determinada área, passam os contatos de dois ou três. Isso vai contra o princípio da isonomia e até da moralidade se o indicado for de seu grupo político. Tem que ter uma relação completa da subseção, que pode estar disponível no site”, propõe.
O candidato diz que, se for eleito, as dezenas de comissões apresentarão os resultados de suas atividades publicamente. “Não sabemos do trabalho desenvolvido pela grande maioria delas. Na Seccional, produzem relatórios. Por que isso não ocorre aqui? Certamente porque não há um trabalho efetivo, não por culpa dos mais de 300 profissionais engajados, mas por causa da gestão. Não há conduta positiva do administrador”, afirma.
Avallone pontua que esteve 10 meses à frente da Comissão de Esportes da Ordem em Bauru e não obteve respaldo da gestão. “Fizemos muita coisa, mas poderia ter conseguido muito mais”. Entre as propostas do advogado, consta ainda a criação de uma Ouvidoria para receber as queixas dos profissionais. Eduardo quer ainda maior efetividade da Comissão de Filantropia da subseção. “Hoje tudo se resume à cobrança de lata de leite em pó para os cursos da Comissão de Cultura, mas daria para ser muito mais”, acredita.
Apuração
Avallone cobra informações sobre os desdobramentos do acidente ocorrido recentemente na Casa do Advogado, que culminou no óbito de uma idosa. “Não sabemos se a família da vítima foi assistida nem o andamento da apuração dos fatos”.
O candidato acusa ainda a atual gestão de ter distribuído ingressos gratuitamente a um curso cuja participação estava sendo cobrada. “Por que existe distinção daqueles que podem ou não? Se existe um critério, tinha que ser divulgado”.
Desprestígio
A fraca atuação da Escola Superior de Advocacia (ESA) em Bauru é outro alvo de críticas de Eduardo Avallone. “Eles [a atual gestão] dizem que trouxeram 10 cursos, mas é muito pouco. Precisamos da pós-graduação. Estamos em subseção. Não somos subadvogados. Os direitos concedidos aos profissionais da seccional devem ser estendidos a nós. Precisamos lutar por igualdade”.
O candidato afirma que não adianta o atual presidente, Alessandro Biem, apoiar a reeleição de Marcos da Costa, se não gerencia a entidade como o segundo o faz em São Paulo. “Apoio o Marcos por questão de coerência. Ele fez uma boa gestão nos últimos três anos”, avalia.