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Classe média: um passo atrás

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Entre inúmeras preocupações no tocante às consequências da crise econômica, notadamente este período recessivo, uma delas seria o recuo da chamada classe média. A leitura era que quem nunca experimentou um pouco mais de conforto não sente falta, mas quem avançou, ter de recuar agora faz muita diferença. Pois bem. A empresa de consultoria e pesquisas Tendências apurou que a partir deste ano até 2017, cerca de 3,1 milhões de famílias ou equivalente a 10 milhões de pessoas deixarão a classe C (classe média) e engordarão as classes D e E. Foram sete anos de avanços, se apresentando como uma verdadeira revolução no tocante a mobilidade social e tudo isso deve ser anulado em três anos. 

A economia vem encolhendo. Este ano teremos queda no Produto Interno Bruto na ordem de 3% em termos reais, ou seja, descontada a inflação. Os números projetados para o ano que vem não são nada animadores, com queda do PIB na ordem de 1%, tendo até algumas projeções pessimistas apontando para nova queda de 3%. 

Sem vendas, as empresas demitem, agravando o desemprego, achatando a massa salarial, ou seja, queda efetiva nos rendimentos das pessoas. Lembrando que em termos de classificação estamos falando de uma classe social, a C, que tem rendimento familiar entre R$ 1.958,00 e R$ 4.720,00. Os rendimentos das famílias das classes D e E não passam de R$ 1.957,00. Queda de padrão de vida. Além da perda do emprego, outra variável irá dificultar àqueles que recuarão de classe social: a baixa qualificação. Isso implica na precarização do emprego, ou seja, tudo indica que a informalidade será o abrigo destes profissionais.

O desafio para estas famílias será enorme. Terão que repensar o modo de viver. Abandonar o consumo de alguns produtos que se no passado eram proibitivos, nestes últimos anos foram incorporados como normais. Além disso, talvez tenham que permitir que os filhos voltem ao mercado de trabalho, uma vez que optaram por mande-los somente estudando. Certamente abrirão mão de planos de saúde privado, e entrarão nas estatísticas dos inadimplentes.

Para quem sempre alardeou que o grande mérito de ser governo nos últimos 12 anos foi garantir a ascensão social de milhões de brasileiros, as ações na direção de minimizar os efeitos da crise para estes que agora terão que recuar, são praticamente nulas. Definitivamente o atual governo perdeu a mão na condução das políticas públicas. Lamentavelmente isso atingiu os mais pobres.

 

O autor é economista e articulista do JC

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