O ativista Pedro Valentim informou nessa quinta-feira (5) ao Ministério Público (MP) que não possui a fita anunciada por ele próprio que revelaria suposta negociação de propina entre agentes políticas em troca da liberação de área pública municipal para uma empresa privada. Ele, agora, relata ter apenas assistido a uma gravação de vídeo.
O promotor Fernando Masseli Helene instaurou inquérito para investigar o caso em 23 de outubro, um dia após Valentim ter solicitado audiência com o presidente do Legislativo, Faria Neto (PMDB), para tratar do assunto, adiantado por ele à secretária do vereador. O fato gerou alvoroço e grande comoção nos bastidores da Câmara, tornando-se público.
Na ocasião, o denunciante avisou que entregaria a fita às autoridades competentes no dia 29 de outubro, quando ficaria pronta suposta perícia para atestar a veracidade do conteúdo. Essa análise, porém, nunca existiu. Pressionado por autoridades públicas, Valentim entregou ao MP e à Comissão de Fiscalização da Câmara Municipal – que também apura o caso - apenas duas gravações de áudio produzidas por ele, nas quais agentes políticos são seus interlocutores.
O Legislativo deu publicidade ao conteúdo na última terça-feira (3). O JC, no entanto, não divulgou os nomes dos envolvidos e citados em função da aparente inconsistência no material, visto isoladamente.
Os agentes políticos não fazem denúncias de fato nem revelam estar fazendo tratativas ilícitas, limitando-se a tecer comentários e ilações. O mesmo vale para os documentos, em sua maioria reprodução de processos públicos, acrescidos de observações e comentários abstratos.
JUSTIFICATIVA
Ao promotor, Pedro relatou que, no dia 21 de outubro, estava em um bar na Zona Sul de Bauru, acompanhado de uma amiga, quando fora abordado por um homem, identificado por ele apenas pelo primeiro nome, a quem o denunciante garante não conhecer.
O homem fez um breve relato sobre o caso da suposta propina e exibiu em um notebook, no bar, o suposto vídeo com mais de 40 minutos.
“Naquela oportunidade eu não vi o vídeo inteiro, mas o tal [nome preservado] me avisou que em seu conteúdo anunciava que, caso a área saísse, haveria pagamento de propina”, disse Valentim ao MP.
ESPERANDO...
Depois de mostrar parte do vídeo, o homem foi embora, mas teria prometido entregar uma cópia do vídeo ao denunciante no máximo até sábado, dia 24. Nessa data, Pedro foi procurado por seu interlocutor e advertido de que não deveria ter dado publicidade. Ainda assim, o mesmo lhe prometeu que disponibilizaria algumas cópias, o que não aconteceu até hoje. “Mas acredito que isso acontecerá”, afirmou Valentim em depoimento a Masseli Helene, nessa quinta-feira (5).
Diante disso, o ativista passou a gravar alguns agentes políticos com quem conversava com o objetivo de materializar história e comprovar que não a inventara. Esse material também já está à disposição da Polícia Civil, que o recebeu, na semana passada, por intermédio do presidente da Câmara Municipal, Faria Neto.
À Promotoria, Pedro Valentim garantiu que, ao procurar o comando do Legislativo, no fim de outubro, não tinha a intenção que a informação sobre a fita “vazasse”.