Economia & Negócios

Pressionada por combustíveis e dólar, inflação tem maior nível para outubro em 13 anos

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira | Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

O reajuste dos preços dos combustíveis levou a inflação ao consumidor brasileiro a acelerar em outubro ao maior nível para o mês em 13 anos, somando quase 10% o dólar e em que o Banco Central encontra dificuldades para conter a alta dos preços. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,82% em outubro, depois de subir 0,54% em setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (6).

É o nível mais alto para meses de outubro desde 2002, quando chegou a 1,31%, e também o maior neste ano desde março, quando a alta foi de 1,32%. Com isso, a alta acumulada em 12 meses até o mês passado atingiu 9,93%, maior nível desde novembro de 2003 (11,02%), contra avanço de 9,49% em setembro. A meta do governo para este ano é de 4,5% com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta mensal de 0,80% em outubro, chegando em 12 meses a 9,91%.

              
Gasolina

O maior responsável pela leitura de outubro foram os combustíveis, que encareceram 6,09% no mês. Sozinha, essa categoria foi responsável por 37% do resultado do IPCA, somando 0,30 ponto percentual ao índice.

O litro da gasolina, combustível de maior peso no índice, ficou em média 5,05% mais caro, exercendo impacto de 0,19 ponto percentual no IPCA. Já o aumento dos preços do etanol foi de 12,29%, o que representa alta 0,10 ponto percentual no índice.

"A alta da gasolina trouxe a reboque o aumento do etanol. Aumentou a procura e a exportação de etanol neste ano, o que diminui a oferta", explicou a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

Diante disso, o grupo Transportes foi o que registrou a maior alta em outubro, de 1,72%, sobre 0,71% em setembro.

O avanço da gasolina é resultado do reajuste de de 6% nas refinarias promovido pela Petrobras.

Ainda se destacou o avanço de 0,77% de Alimentação e Bebidas, a segunda maior alta no índice do mês, após encarecimento de 0,24% em setembro. 

Segundo Eulina, a influência do fortalecimento do dólar em relação ao real sobre os preços vem se intensificando, principalmente sobre os alimentos. Neste ano até a véspera, a moeda norte-americana avançou 42%.

"Uma das principais justificativas é a pressão do câmbio sobre insumos, fertilizantes e dos custos agrícolas em geral. O dólar também está atraente para a exportação de alguns produtos como carnes de boi e aves, o que reduz a oferta por aqui", disse ela.

A pesquisa Focus do Banco Central mostra que os economistas já veem a alta do IPCA perto de 10% neste ano. As expectativas para 2016 também vêm piorando, apontando avanço de 6,29%.

Nem mesmo a recessão e a alta do desemprego no país têm conseguido conter as expectativas, já que turbulências fiscais e políticas têm abalado a confiança dos agentes econômicos.

"Para 2016, o mercado vem corrigindo as expectativas para cima, e um dos fatores é a questão da desvalorização cambial, além da perspectiva de alguns ajustes de administrados no ano que vem. Esse movimento pode continuar", afirmou a economista do CM Capital Markets Camila Abdelmalack. 

O próprio BC piorou sua previsão para a inflação neste ano e no próximo, e agora afirma que tomará as medidas necessárias para levar a inflação ao centro da meta em 2017. Até poucas semanas atrás, o BC defendia que a inflação voltaria para o centro da meta no fim de 2016. 

A autoridade monetária também afirmou que permanecerá vigilante "independentemente do contorno das demais políticas", imprimindo algum viés de alta para eventualmente elevar mais à frente os juros básicos, atualmente em 14,25%.

            

 

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