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Foi nos bailes da vida em troca de pão...

Renato Ghilardi
| Tempo de leitura: 2 min

O termo Partido Político já demonstra o real significado dessa estrutura: pedaços (partidos) de ideias em comum entre seus membros que refletem anseios da população ou de parte dela. Isso é muito significante, pois indica que cada partido político tem uma ideologia. Sim! Quando votamos, votamos em ideologias e não em pessoas bonitinhas, diferentes ou engraçadas. Votamos em ideias. E enquanto não aceitarmos isso, teremos erros crassos sendo instaurados em todas as esferas de governo, inclusive a nossa, municipal. Absurdos como janelas de tempo de troca de partido indicam simplesmente o desejo tórrido de poder de alguém que quer permanecer agarrado ao osso do ofício.

       

Raras são as mudanças de partido por alterações ideológicas de seus membros ou porque um partido desvirtuou-se de suas premissas (há uma lista no TSE com todos os partidos brasileiros, que são 35 no dia de hoje, com seus planos ideológicos). Nesse panorama, em cidades pequenas e de médio porte, como Bauru, o profissional político não tem nem ideia do que prega o seu partido e não são raras as vezes as quais ele pula de um partido a outro totalmente antagônicos em suas ideologias pelo simples desejo de ter mais poder sobre um grupo de pessoas. Isso gera, matematicamente, a necessidade de se aglutinar vários partidos para o lançamento de um candidato a prefeito, por exemplo.


Unem-se partidos que não possuem uma veia sequer de emparelhamento ideológico, mas tal fato é necessário, pois existem partidos de um político só. Qual o resultado? O Executivo fica de rabo preso com pessoas que a população não tem a menor noção da existência para formação de seu corpo administrativo. Se o executivo for fraco então e não possuir personalidade política nata (voltamos àquela ideia de votar no bonitinho e exótico), o ato de administrar fica inviável. Secretarias são inchadas por pessoas incapacitadas pelo simples fato de serem relacionadas aos partidos aliados. Muitas vezes não conseguem enxergar a realidade do funcionamento orgânico de suas pastas conseguindo pensar apenas de forma cartesiana e simplista nos problemas apresentados.

Em política, o pluralismo de ideias é fundamental. E esse pluralismo, que de forma maniqueísta chamamos de aliados e oposição, é muito bem marcado em esferas políticas. Parece que na nossa esfera municipal esse antagonismo não existe. Não existem aliados nem oposição. É só ver nossa assembleia de vereadores de hoje. O que existe é a necessidade de grupos se manterem no poder mesmo que suas ideias morais não se enquadrem nas ideologias de um partido. E o que tem o povo a ver com isso? Tudo! Não podemos deixar de enxergar os fatos diários de nossos representantes e ter opiniões sobre estes. São nossos representantes e, portanto, são portadores de nossas ideias e costumes. Que se valorize mais a segurança, a educação e a saúde para que consigamos enxergar nuances fundamentais para vivermos em sociedade. Viva a pluralidade de ideias e poder compreendê-las.


O autor é professor da Unesp

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