Restos de madeiras doados por uma fabricante de caixas de som da cidade de Garça (70 quilômetros de Bauru) viraram notas musicais fixadas na parede da sala de música com lacres de latas de refrigerantes. Este é apenas um exemplo do que se pode fazer com sobras e material que vão para o lixo. O projeto batizado de Artesanato Sustentável dá novo layout para várias salas, jardins e até nas casas das participantes.
Além de representar economia para a administração municipal, o reúso de materiais que iriam para o lixo é também uma maneira de livrar o meio ambiente de materiais que demoram muitos anos para serem absorvidos nos aterros. A criatividade é uma marca na confecção de objetos de decoração a partir de produtos recicláveis. É preciso ter bom gosto e capricho, do contrário, fica comum.
A gestora do Fundo Social de Solidariedade de Garça, Maria Angélica Monici, explica que, grupos de mulheres e adolescentes do Centro de Referência da Assistência Social (Cras) com o auxílio das monitoras, fazem reúso de muitos materiais que iriam para o lixo. “A doação feita por uma fábrica de caixas de som da cidade garantiu a decoração da sala de música do projeto Gerasom. Com as madeiras que vão para o lixo fizemos notas musicais. Colorimos algumas delas e decoramos uma parede do Cras. Tornamos o local mais aconchegante. Fazemos mandalas.”
Com copinho descartável de café foram feitas porta-xícaras e as garrafinhas de leite de coco ganharam flores e adereços para enfeitar a parede. “As flores foram feitas de caixa de ovo que depois de pintada ganharam outro formato. Fizemos árvore de retalhos de tecidos, quadros com coador de café usado. Os pneus foram usados em jardins, fizemos puff. Com jornais fazemos abajur, cortina.”
Banners viram sacolas e capa de sofá em escola ambiental de Botucatu
A Escola do Meio Ambiente de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) tem 10 anos e faz parte da rede pública municipal que compreende mais de 13 mil alunos do ensino infantil, fundamental I e II que vai até o 9º ano. Os alunos da rede têm que participar de vivência ou oficina pelo menos uma vez ao ano. As ações acontecem no período de aula, porque faz parte da grade curricular deles. Uma das atividades é transformar materiais que iriam para o lixo em usáveis.
A diretora da escola, Eliana Maria Nicolini Gabriel, explica que recebeu uma grande doação de banners da Fatec e Unesp. “Com eles encapamos um sofá, duas poltronas e uma mesinha. O restante foi usado para fazer sacolas. Temos que dar um fim útil ao material. A confecção é feita por estagiários do ensino médio das escolas, todas da rede pública. Tem estagiário de biologia da Unesp e da Fatec.”
Tudo o que é produzido na escola faz parte do kit entregue aos premiados no final de cada ano. “No final do ano, fazemos uma premiação para as professoras da escola de ensino infantil que trabalharam, que fizeram a nossa trilha e desenvolveram algum projeto nas escolas deles. Eles recebem um certificado e a premiação vai dentro dessa sacola de banner. É o reaproveitamento do material. Doamos para alguém que trabalha com a educação. Para que ela continue a multiplicar o que a gente está ensinando nessa aula e na oficina.”
Na escola tem uma parede inteira de garrafa pet. “Foi construída por funcionários e estagiários da escola. Tínhamos uma demanda muito grande de garrafa pet nessa região da cidade. Fizemos para chamar a atenção das pessoas. Para que elas pensem quantos refrigerantes elas tomam. Também para reaproveitar. A parede é uma barreira contra a chuva e vento. Dependendo da demanda do material, a gente foca a oficina para aquilo.”
Trilha encantada
A escola do Meio Ambiente trabalha com crianças desde os 4 anos até os 17. Para cada faixa etária há um tipo de atividade, todas voltadas à preservação da natureza. “Trabalhamos nas trilhas temáticas. As crianças de 4 anos fazem a trilha encantada. É um trecho muito pequeno que tem dentro da floresta. Elas são recebidas pela fada e pelo espantalho, dois personagens que os monitores da escola se transformam para receber essas crianças para o aniversário da fada.”
O espantalho recebe todos e diz que vão dar um presente para a aniversariante. “Então as crianças percorrem uns 50 metros na floresta. O espantalho dá sementes para a fada e as crianças é que vão plantar. Tudo é tematizado de acordo com a idade da criança até que ela complete os 14 anos na rede municipal. Os alunos de 8 anos fazem a trilha do sujão que trabalha o conceito do consumismo.”
Já os alunos do ensino médio participam de uma vivência onde eles se reconhecem natureza. “Principalmente essa interdependência que o ser humano tem com a natureza. É uma coisa mais introspectiva, menos encantada. As crianças do 1º ao 5 ano são mais aventureiros, eles buscam coisas na floresta. Dos 6 ao 9º ano eles são mais pesquisadores, coletam água, trazem para ver no microscópio. No final ensino médio, eles trabalham mais a questão da volta do homem ao seu estado de origem que é a natureza.”