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Escola simula aquecimento global

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

O aquecimento global é um problema considerado grave pela maioria da população mundial, aponta pesquisa feita pelo centro de estudos americano Pew Research Center, divulgada na última quinta (leia mais abaixo). No dia seguinte, a questão foi colocada em destaque para cerca de 60 alunos do 6.º ano do D’Incao Instituto de Ensino de Bauru, durante atividade prática que mediu qual a quantidade de dióxido de carbono (CO2) emitida pelo escapamento de um veículo.

Em laboratório, com uso de censores e equipamentos de análise de dados, crianças entre 10 e 11 anos presenciaram um resultado preocupante: em 10 minutos de experimento, a temperatura do recipiente com excesso de CO2 atingiu quatro graus a mais do que o frasco que não continha e emissão de gás retirada do carro. “É um efeito alarmante”, observa o professor de ciências Pedro D’Incao, que também é um dos proprietários da escola.

O CO2 é liberado no processo de respiração (na expiração) dos seres humanos e também na queima dos combustíveis fósseis (gasolina, diesel, querosene, carvão mineral e vegetal). A grande quantidade de dióxido de carbono na atmosfera é prejudicial ao planeta, pois ocasiona o efeito estufa e, por consequência, o aquecimento global.

O efeito estufa é um fenômeno natural que ajuda a manter a Terra aquecida. “Entretanto, com a interferência do homem sobre a natureza, está havendo um excesso de CO2 na atmosfera, deixando o planeta cada vez mais quente”, explica Pedro D’Incao, referindo-se à destruição da camada de ozônio – espécie de capa protetora da atmosfera terrestre composta por gás ozônio (O3).

Experimento
Para mostrar os danos causados pela emissão de gases do efeito estufa, o professor Pedro realizou um experimento bastante curioso com os alunos, que começou do lado de fora da escola. Ele acoplou a mangueira de um balão especial (tipo lona - para coleta de CO2) no escapamento de um carro ligado (abastecido com gasolina) e colheu o dióxido de carbono.

Já no laboratório, Pedro “descarregou” o CO2 em um recipiente e, com um censor próprio, mediu a quantidade de gás, que atingiu 32 mil parte por milhão (ppm) - ou miligrama por litro. “O dióxido de carbono na sala era de 170 ppm. A diferença é exorbitante”, pontua o docente.

Na sequência, ele mostrou dois frascos de vidro com um pouco de terra para simular a atmosfera terrestre. Em um deles, foi depositado CO2 coletado no ambiente do laboratório, enquanto no outro ficou o gás retirado do escamento do carro.

Os recipientes, então, foram acomodados sob uma luminária simulando o sol e ligados, por censores, a um equipamento de análise de dados com base em um programa específico, instalado em um iPad.

Grande diferença
Após 10 minutos, o gráfico mostrava duas linhas: uma azul e outra vermelha. A primeira, referente ao recipiente com gás “limpo”, registou máxima de 31 graus de temperatura. O segundo marcava máxima de 35 graus. “Deu muita diferença”, observa o professor Pedro D’Incao.

Ele pontua que o objetivo da atividade era que os alunos vivenciassem e compreendem o processo. “Quando eles assimilam desta forma, também se conscientizam do quão é necessário reduzir os níveis de emissões dos veículos”, finaliza.

“A gente tem que repensar essa questão, que pode até levar à morte”, diz o estudante Augusto Zanardi Creppe, 11 anos. “Temos que tomar cuidado com o CO2. Com essa experiência, ficou bem mais claro pra gente”, acrescenta Marina Vicente Ventrilho, da mesma idade.


Problema sério

Pesquisa feita em 40 países (incluindo o Brasil) pelo centro de estudos americano Pew Research Center, divulgada na quinta-feira, mostra que 85% dos entrevistados veem as mudanças climáticas como problema sério. Para 54%, o problema é muito sério. O levantamento foi realizado entre março e maio deste ano com mais de 45 mil pessoas em todos os continentes.

Vale lembrar que, no último domingo, a presidente Dilma Rousseff afirmou, na cúpula da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, que o Brasil tem a meta de reduzir em 43% a emissão de gases do efeito estufa até 2030. O ano base, segundo ela, é 2005. 

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