O baterista Binho, Sílvio Luiz Vieira, é o personagem da Entrevista da Semana de hoje. Com 30 anos de experiência com as baquetas, ele conta as suas principais passagens pelo mundo da música.
Binho descobriu o som ainda no começo da adolescência quando ganhou baquetas quebradas de um amigo. Foi com ela que ele se apaixonou pelo instrumento, que aprendeu a tocar “de ouvido”: “Em casa, eu colocava um disco de vinil e eu ficava tocando no ar, para ouvir. Eu batia os pés com cuidado no chão de assoalho para não pular o disco”, lembra.
O menino cresceu e o músico nasceu. Conhecido no cenário cultural de Bauru, Binho passou por inúmeras bandas, algumas marcantes, como a War Pigs on The Block, nascida na época da Guerra do Golfo (1990-1991). “Foi uma banda de rock and roll divisor de águas. Todo mundo tocava as mesmas coisas e a gente revolucionou”, recorda.
Atualmente, dois grupos contam com a força da sua bateria: a irreverente Creme Rinse, com versões de roqueiras a clássicos do brega, onde de Binho ele passa a ser Lindomar Lindauro, o fiscal da beleza. Outra banda é a Stone, com sucessos que passam da brasileira Capital Inicial até norte-americana Metallica. Confira.
Jornal da Cidade – Quando você descobriu a música?
Sílvio Luiz Vieira (Binho) – Eu sempre fui fã de futebol e sempre joguei bola. Um dia, fui com um amigo até a casa de um primo dele e ele estava ensaiando com uma banda. Ele me deu duas baquetas quebradas. Em casa, eu colocava um disco de vinil e ficava tocando no ar, para ouvir. Nunca tive aulas de bateria. Aprendi tudo de ouvido. Eu batia os pés com cuidado no chão de assoalho para não pular o disco (risos). E tudo começou assim, em 1982.
JC – Lembra-se da sua primeira banda?
Binho – Sim, foi a Hellion. Tocamos somente umas duas ou três vezes. Depois veio a Lenda. E aí eu comecei a tocar em bares, festas, no Vitória Régia... Fazíamos um rock nacional. Depois vieram muitas outras bandas. Teve a Aranhas do Mar, em 1989. Era uma coisa bem diferente. A gente fazia um funk estilo Ghetto, Fausto Fawcett... naquela época, muitas bandas bauruenses faziam som próprio e nós fazíamos também. A gente tocava muito e o pessoal gostava de ouvir som próprio.
JC – É possível enumerar todas as suas bandas?
Binho – Não, mas teve uma principal, a War Pigs on The Block, nascida na época da Guerra do Golfo. Foi uma banda de rock and roll divisor de águas. Todo mundo tocava as mesmas coisas e a gente chegou no Armazén tocando Sex Pistols, Metallica... umas coisas absurdas (risos). E todo mundo naquela época só tocava o rock tradicional, o clássico. Isso em 1991. Eu comecei a cantar. Cantei em outras bandas, também.
JC – Você já tocou de tudo um pouco?
Binho – Gosto de dizer que eu gosto de tudo o que faz bem aos meus ouvidos. Já tocamos muito rock nacional, rock mais puxado para o metal, música de baile. Já toquei em banda country. Com a Rodeio Brasil eu fiz uma turnê de mais de um mês pela região Norte do Brasil.
JC – Quais são as bandas que contam com a sua bateria, hoje?
Binho – Toco na Creme Rinse há uns 20 anos, um trabalho bem-humorado com versões de roqueiras a clássicos do brega. Na banda, por exemplo, todos temos nomes diferentes. O meu é Lindomar Lindauro, o fiscal da beleza (risos). E tem também a Stone, não é um cover, tocamos desde Capital Inicial até Metallica. Tocamos em bares, casamentos, festas fechadas...
JC – Você já teve outros trabalhos ao lado da música?
Binho – Eu comecei a trabalhar muito cedo, aos 15 anos de idade. Sempre com algo ligado à música. Em 1989, comecei a trabalhar em loja de disco e livros. E acompanhei toda a mudança de formatos dos discos. Também dei algumas “assessorias” sobre música. Para um programa de TV, por exemplo, eu escrevia sobre os trabalhos recém-lançados no mercado. Sempre procurei saber sobre esse universo.
JC – Atualmente a sua dedicação é toda voltada à música?
Binho – Sim. Só trabalho com música, até mesmo para ter mais tempo para cuidar dos meus pais e avó, que já estão com idade avançada. Família é tudo. Há duas coisas que movem as pessoas: a família e os amigos. Tenho um grupo de amigos que também considero família. A maioria deles é herança da música.
JC – É difícil para um músico do Interior viver só da profissão?
Binho – Não, mas é preciso ter coragem. No caso do baterista é mais difícil, porque ele não consegue tocar em qualquer lugar, como quem faz violão e voz.
JC – Quais são as suas influências musicais?
Binho – Eu gosto muito do Barão Vermelho, Kiss, dos Stones... Quando o assunto é baterista, eu fico com o Neil Peart, da banda Rush. Ele nunca estará entre os primeiros do mundo porque já está no topo. É impossível chegar até ele.
JC – O palco trouxe histórias marcantes?
Binho – Algumas delas. Recentemente eu caí da bateria. Mas ninguém viu (risos). A música também me proporcionou momentos de emoção, como o encontro com alguns ídolos. Um deles foi o Fausto Fawcett. Eu nunca me vi longe da música.
JC – Ser baterista tem seus altos e baixos?
Binho – Eu acho demais! Mas namorar no fim dos shows é difícil, porque o baterista é o último a sair do palco já que tem que desmontar tudo. Sem falar que é o cara mais suado da banda (risos). Mas a bateria é o coração da banda.
JC – Uma superação
Binho – Recentemente, um brother faleceu. Ele era um cara irmão mesmo e acabou falecendo em um acidente. O Ivan Bassa. Essa perda foi a coisa que mais me machucou.
JC – Um desejo.
Binho – Ver paz nesse mundo cheio de guerra e violência. Também desejo ser a pessoa que eu sou. Não quero mudar.
JC – E quem é o Binho?
Binho – Sou um cara normal. Apesar de estar sempre na rua, sou muito família. Gosto de fazer amizades. Posso dizer que sou um cara agraciado porque aprendi música de ouvido e já toquei com os melhores de Bauru. É isso.
PERFIL
Nome: Sílvio Luiz Vieira (Binho)
Idade: 45 anos
Local de nascimento: Bauru
Signo: Escorpião
Livro de cabeceira: Bíblia; também sempre leio biografias e outros títulos relacionados à música
Filme preferido: “O Silêncio dos Inocentes”
Hobby: Música e amigos
Time de futebol: São Paulo
Estilo musical predileto: Rock, mas gosto de tudo o que faz bem aos meus ouvidos
Para quem dá 0: Para a politicagem nacional
Para quem dá 10: Para a minha família
E-mail: binho4fun@uol.com.br