Tribuna do Leitor

Liberalismo econômico: a grande falácia da liberdade


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Recentemente, foi publicado neste jornal um artigo em defesa do liberalismo econômico e, no exercício democrático da pluralidade, traçamos aqui algumas linhas de contrariedade, para que o debate não seja unilateral, o que faremos mantendo o total respeito ao autor daquele texto.

Pois bem. Ao defender o liberalismo econômico, de início, o autor daquele texto nos lembra de que o liberalismo foi vertente atuante nos movimentos de antiabsolutismo do fim da Idade Média, como foi a Revolução Francesa. Porém, esquece-se de nos dizer que, embora tenham ali surgido e sido postos em prática ideais sociais de cidadania, o período pós-revolução francesa teve uma república democrática fortemente baseada na propriedade.  Uma efetiva democracia, que atenda à vontade do povo, não se ergueu ao povo francês e nunca foi erguida em sociedade alguma com movimentos de liberalismo econômico. Nunca. Usar-se dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade como fruto do liberalismo econômico é, no mínimo, contraditório, para não dizer falacioso.

Pois se engana – largamente - aquele que acredita que o pensamento econômico liberal é resultado de uma articulação de sentimentos que surgem de forma natural, dentro de cada homem, em aspiração de seu bem-estar, do bem-estar social e das melhores formas de vida e, ganhando articulação coletiva, se tornam um movimento social. O liberalismo, por definição, é um pensamento individualista, em que as decisões econômicas são tomadas por indivíduos sem intervenção de organizações sociais ou instituições (como o Estado), devendo o Estado intervir somente para que o mercado possa atuar com toda sua força. É inacreditavelmente cristalino que o liberalismo é a negação das organizações sociais, dos direitos humanos, dos direitos sociais, dos direitos trabalhistas, do bem-estar social, enfim, de todas as garantias constitucionais individuais.

Provando ainda a falácia liberal, não menos interessante é lembrarmos de países como Estados Unidos da América, que é cultuado como o maior exemplo de liberalismo econômico, quando na verdade se desenvolveu com políticas protecionistas e imperialistas (que são estadistas por natureza), e não com liberdade total e sem atuação do Estado. Chega a ser hilário imaginar que o mercado, por si só, possa tomar medidas protecionistas, que dependem, por exemplo de intervenção estatal (como é, por exemplo, o protecionismo tarifário).

Seria, ainda, um “tiro no pé” se a quase total ausência do Estado, que faz brilhas os olhos dos liberais, fosse realmente praticada. Só como exemplo, foram trilhões de dólares que os EUA e a União Europeia tiraram de suas reservas para salvar a crise econômica gerada pelo sistema financeiro em 2008. Onde estariam os grandes banqueiros agora? Nas filas de emprego? Se não estão hoje, é graças ao Estado.

Mário Henrique da Luz do Prado.

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