Polícia

Mães denunciam traficantes para afastar o crime dos filhos

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Denunciar o tráfico de drogas. Esta é a alternativa encontrada por mães para evitar que seus filhos sejam atraídos pelo mundo do crime. E foi desta forma que a PM prendeu, nessa terça-feira (10) de manhã, no Jardim Europa, dois jovens apontados como traficantes. Heberty Jhony Ramos de Freitas, 20 anos, e Clodoaldo Martins Junior, 18, foram flagrados com 54 pedras de crack e R$ 279,00.

Eles, contudo, não foram os únicos a serem descobertos com apoio da comunidade. O medo de ver os filhos serem corrompidos pelo tráfico tem levado mães a compartilhar informações com a polícia, conforme aponta o 1.º tenente PM Lucas Freitas, comandante da Base Sul da PM. Existem ainda as mães que denunciam o próprio filho, por não saber mais como lidar com a situação (leia mais abaixo).

No caso desta terça, Heberty e Clodoaldo foram flagrados em um barraco localizado na quadra 1 da rua Luiz Bleriot, após denúncia de mães do bairro. O primeiro é reincidente: tem passagem pela Fundação Casa. O segundo, que dormia sobre o entorpecente no momento da abordagem, foi preso pela primeira vez, para a surpresa da mãe, que, na frente da CPJ, tentava entender “onde o marido e ela erraram na criação do filho”.

“Nem imaginava que ele estava vendendo drogas. Ele saiu de casa há cinco meses para morar sozinho e não conversa mais com a gente. Nunca deixamos faltar nada a ele e não havia necessidade de entrar nessa vida”, diz. Apesar da dor ao ver o filho na prisão, ela apoia a denúncia. “Pode evitar que outras mães passem por essa situação triste de ver um filho preso”, desabafa a mulher, que pediu para não ter seu nome divulgado.  

É para que outros jovens não tenham o mesmo destino de Clodoaldo e Heberty que as mães estão se unindo. “A mãe que denuncia não quer que o filho dela, hoje com 14 ou 15 anos, seja corrompido como os dois que acabaram presos hoje (ontem)”, observa o tenente Freitas, que, há quatro anos, vem fazendo um trabalho de aproximação com moradores de bairros periféricos de Bauru como Jardim Europa e favela São Manoel, por exemplo.

Confiança

O resultado, aponta o tenente, tem sido positivo. “As mães vão pegando confiança e acabam colaborando. As informações privilegiadas vêm dessas pessoas que convivem com o problema diariamente”, pontua Freitas, e revela que a preocupação da comunidade com a questão não se instalou por acaso. “Outras gerações estão entrando para o tráfico. Já prendi o tio ou pai e, meses depois, o sobrinho, o filho”.

Dentro de casa

Sem saber mais o que fazer, muitas mães optam para o mais dolorido: denunciar o próprio filho. “Elas não conseguem mais ter o controle da situação e acabam perdendo o filho para o tráfico. Então, nos procuram e clamam por solução, mas não podemos fazer o papel de educador. Não é a nossa função. Só podemos ajudar de uma jeito: prendendo o filho dela e quem vende droga para ele”, detalha. 

“As mães choram e lamentam no início, mas acaba sendo um alívio depois, porque elas já não aguentavam mais aquela situação. Se de um lado é triste, do outro é positivo, pois cria-se um vínculo de confiança e essas mães passam a indicar quem são os traficantes e onde armazenam as drogas. A orientação é para que não fiquem caladas. É a única maneira de ajudar”, finaliza o tenente Lucas Freitas.

 

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