Polícia

Mototaxistas seguram suspeito de latrocínio até a chegada da polícia


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Reprodução/Câmera de segurança
Imagens de câmera de segurança mostram Guilherme Borges (no detalhe) caído após o crime
Divulgação

Um grupo de mototaxistas conseguiu conter, até a chegada da PM, o suspeito de ter roubado e esfaqueado o vendedor Guilherme Borges Afonso de Mendonça, 23 anos, na última quarta-feira (11) à noite, na região do Jardim Carolina, em Bauru. O jovem não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Embora tenha negado que cometeu o crime, Eduardo Graziani, 35 anos, foi preso em flagrante acusado de latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte.

É o que informa o delegado responsável pelo inquérito policial, Antônio Augusto de Campos Lima. Segundo ele, pouco tempo depois do crime, que ocorreu por volta das 21h, o suspeito tentou vender um celular em um ponto de mototaxistas, situado na rua Salomão Habib Haddad, no Parque Júlio Nóbrega. Ele teria deixado o equipamento no local e ido embora. Todavia, um dos trabalhadores suspeitou da situação.

Ele, inclusive, havia passado pela cena do crime, a quadra 3 da avenida do Hipódromo, e visto um corpo sobre a guia da calçada. Essa testemunha também avistou uma capa de celular ao lado do rapaz. Quando o suspeito retornou ao ponto de mototaxistas, o grupo o deteve até a chegada da PM. Antes disso, os trabalhadores encontraram uma faca com resíduos de sangue dentro do carro de Eduardo, um Gol branco.

O acusado teria dito aos mototaxistas que não era o autor do crime e acrescentou que o celular que tentara vender teria sido comprado na favela São Manoel. Mesmo assim, testemunhas e suspeito foram encaminhados até a Central de Polícia Judiciária (CPJ). Diante das evidências, Eduardo recebeu voz de prisão em flagrante acusado de latrocínio. Ele foi conduzido até o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.

Segundo o delegado, o inquérito já foi instaurado e ele aguarda o resultado do exame pericial do local do crime, além do laudo necroscópico a ser elaborado pelo IML. Lima acredita que o rapaz tenha sido atingido por um único golpe de faca na região do peito. Sob extrema comoção, o corpo de Guilherme de Mendonça foi velado, nessa quinta-feira (12) pela manhã, na sala 2 do Memorial Bauru, e sepultado, à tarde, no cemitério do local.

O crime

Conforme informações dos familiares da vítima, Guilherme saiu do trabalho, uma empresa de telecomunicações situada na região central de Bauru, por volta das 21h. Ele tomou um ônibus e desembarcou a poucas quadras de sua casa. Imagens de uma câmera de segurança ilustram a ocasião em que o jovem caminhava pela calçada em seus últimos segundos de vida. Ele manuseava o celular antes de ser abordado pelo suspeito.

Ainda segundo a família, a vítima teria se negado a entregar o celular, motivo que levou o autor do crime a esfaqueá-la. Em seguida, o Corpo de Bombeiros e a PM foram acionados. Uma equipe da Unidade de Resgate (UR) da corporação constatou a morte de Guilherme assim que chegou ao local.

Segundo a polícia, testemunhas teriam visto o rapaz e outro homem brigando. Um deles estaria com uma faca.

Dois homens?

Houve relatos, ainda, de que Guilherme tivesse sido abordado por dois homens, hipótese que não é descartada pela Polícia Civil, que ainda tenta obter novas imagens do deslocamento do autor do latrocínio pouco antes e logo depois do crime.

Perfil atípico

Facebook/Reprodução
Eduardo Graziani e familiares teriam relatado que ele usuário de crack

Um homem nascido em família de classe média alta e que viveu por 35 anos sem carregar antecedentes criminais em seu histórico. Acusado de roubar e matar o jovem Guilherme de Mendonça, Eduardo Graziani integra um perfil atípico de quem comete crimes tão brutais como latrocínios.

Familiares e o próprio autor relataram, contudo, que ele é usuário de crack, um traço bastante comum entre pessoas envolvidas com a criminalidade. “A droga não escolhe classe social. E o roubo é um crime de ocasião. O usuário, na ânsia de conseguir dinheiro ou algum objeto de valor para trocar por drogas, sai às ruas e ameaça pessoas com faca ou arma de fogo, não importa qual seja a sua origem”, pontua o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja.

Por este motivo, embora considere que Bauru continue “longe do nível ideal de segurança” e que as polícias Civil e Militar ainda tenham muito trabalho a fazer, Granja destaca que a administração pública, em todas as instâncias de governo, também precisa se empenhar para combater o avanço do crack, por meio da instituição de políticas capazes de retirar usuários das ruas e de garantir o tratamento adequado a todos os dependentes químicos.

“Não é possível que, em pleno século 21, por exemplo, ainda tenhamos uma ferrovia abandonada, servindo de abrigo para o consumo, o tráfico de drogas e a negociação de venda de produtos roubados”, observa.

‘Quando o vi morto, eu desabei’, diz o pai da vítima

João Rosan
Emerson Afonso de Mendonça, pai da vítima: “Era um ótimo filho, não era de bagunça e vivia na igreja evangélica”

Um rapaz bastante querido deixou família e amigos na tentativa de preservar o telefone celular, que havia comprado após trabalhar duro em uma empresa de telecomunicações da cidade. Revoltado diante da situação, o pai de Guilherme, o autônomo Emerson Afonso de Mendonça, 42 anos, conta que passou mal quando viu o filho caído junto à guia da calçada. “O resgate que seria para ele serviu para mim, porque minha pressão subiu e eu desabei”.

Emerson conta que o único golpe que o filho levou não atingiu seu coração, mas uma artéria, fato suficiente para provocar uma hemorragia e levar à morte. Ele acrescenta ainda que não é do perfil do filho reagir diante de qualquer tipo de violência, mas ressalta que não dá para saber o que ele pensou naquele momento de desespero. “Era um ótimo filho, não era de bagunça e vivia na igreja evangélica”, elogia.

Proprietário da empresa onde o rapaz trabalhava há quatro meses, Vinicius Sallas conta que ele era um garoto responsável, sorridente e brincalhão. Ele mal havia chegado ao emprego e já conquistou todos os colegas. “Quinzenalmente, nós premiamos os melhores funcionários e faltava apenas uma venda para ele ganhar a bonificação. Ele mostrava interesse no trabalho e tinha perfil para seguir carreira”, finaliza.

Latrocínio contra pedestre em Bauru foge à regra

Segundo o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja, este é o primeiro latrocínio contra pedestre deste ano em Bauru. Os dois casos anteriores, que a polícia registrou e esclareceu, ocorreram dentro de residências, um em julho e outro em agosto. O delegado traz à tona aquela máxima que defende que a vítima nunca deve reagir a um assalto e deve evitar o manuseio de celulares nas ruas ou mesmo ostentar objetos de valor.

Granja acrescenta que Bauru registra de três a quatro roubos por dia e, em 70% dos casos, as vítimas são pedestres. Os alvos preferenciais são jovens, principalmente menores de idade, e mulheres. “O que difere o roubo do latrocínio é a reação da vítima. Na tentativa de garantir impunidade e o proveito do roubo, o criminoso não vai pensar duas vezes em tirar a vida de uma pessoa”, aponta.

Conforme o JC já noticiou, as polícias Civil e Militar se reuniram, na última quarta-feira (11), e demonstraram preocupação acerca desse tipo de crime contra pedestres por conta do trauma causado às vítimas. O delegado argumenta que a maior preocupação da polícia não está no esclarecimento, mas na prevenção educativa.

Em relação ao esclarecimento em si, Granja afirma que a DIG trabalha no sentido de promover o reconhecimento fotográfico dos autores, apresentar imagens de autores presos acusados de crimes semelhantes às vítimas para que façam novos reconhecimentos e chegar até o receptador dos produtos roubados, sendo que a maioria deles é formada por aparelhos celulares. Por isso a importância de a vítima passar o número do Imei à polícia.

Mais um caso

Na manhã dessa quinta (12), mais um caso de roubo a pedestre. Um homem de 31 anos foi detido pela PM após roubar o celular de uma mulher, em um ponto de circular, no Parque São Geraldo. O criminoso ameaçou a vítima com uma faca e levou seu telefone. Durante patrulhamento, próximo ao Jardim Colina Verde,  Luciano Alexandre de Macedo foi preso em flagrante.

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