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Juventude eterna, eis a busca de nossa sociedade

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

Lembro-me que em um de meus livros falo sobre Juan Ponce de León, marinheiro espanhol que procurava a Fonte da Juventude. Ele não a encontrou e, como todos nós por este mundo, morreu. O espanhol, que viveu nos séculos VX e VXI, retratava naquele época o anseio de nossa sociedade atual: juventude eterna.


Queremos  passar a perna no tempo e mostrar que apesar dos anos estamos bem. Contudo, o tempo não é ingênuo e deixa-nos com que o enganemos apenas por algum “tempo”, mas não para sempre. Ele aparece, quer gostemos ou não, cedo ou tarde aparece em nós os efeitos do tempo... E atualmente  a juventude deixou de ser uma fase da existência para ser uma virtude. Ser jovem é qualidade, tanto que muitos ficam indignados quando se fala da idade, dos cabelos brancos ou das rugas, como se pecado fosse as imposições do tempo em nós. Jamais pergunte a idade de uma mulher, é indelicado, dizem alguns, como se a idade fosse uma condenação, um erro... Envelhecer tornou-se um dos erros da natureza, por isso existe a vergonha dos anos... Ah, passei dos 30, dos 40... Pobre coitado, já avançou as décadas, é o pensamento de boa parte das pessoas.


Entretanto, é inevitável;  o tempo passa, acredite ou não o tempo passa até para os jovens. Costumava dizer nas festas de aniversário de meus filhos: Eles também envelhecem! Isso mesmo, todos envelhecemos, as celulites chegam, a barriguinha de chopp aparece, os cabelos caem, ficam mais finos, perdem o brilho... Afinal, faz parte da vida e envelhecer não é defeito, mas apenas uma fase da existência humana. Ter 40 e aparentar 50 nada tem de errado. Celulites não são assalto a banco. Rugas não comprovam envolvimento em esquemas de corrupção e barriga não é sinônimo de alguém mentiroso.


Corpo definido dá tesão por um dia, mas não pela vida toda. Bom papo e conteúdo também atraem, e não é, definitivamente, patrimônio dos jovens ou dos velhos. É importante controlar o tempo antes que o tempo estabeleça em nós o seu controle. Jovens, velhos e crianças são fases da vida que estaremos sujeitos, quer queiramos ou não... Que tal aproveitar cada uma delas?


O autor é colaborador de Opinião

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