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"Foguete" de Bauru ganha prêmio no RJ

Marcus Liborio
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João Rosan
Guilherme Lanzi e Lucca Panice, estudantes do 2.º ano do ensino médio, com o troféu conquistado no Rio de Janeiro, uma réplica do foguete brasileiro VS-40

Você sabia que um foguete feito com garrafa pet pode voar? Dois estudantes do 2.º ano do ensino médio do Rembrandt COC, em Bauru, provaram que é possível. Lucca Panice e Guilherme Lanzi, ambos com 16 anos, ficaram entre os vencedores da 7.ª Jornada de Foguetes, organizada pela IX Mostra Brasileira de Foguetes (Mobfog), realizada na cidade de Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, entre os dias 26 de outubro e 1 de novembro.

O evento, que contou com a presença do bauruense Marcos Pontes - o primeiro astronauta brasileiro -, reuniu 107 equipes, divididas em duas turmas durante a competição. O protótipo da dupla de Bauru foi um dos 24 que receberam o troféu de campeão, após atingir 169 metros de distância (na horizontal) no lançamento. “Isso deu em torno de 80 metros de altura”, pontua Guilherme. “Foi uma ótima marca”, acrescenta Lucca.

Os estudantes enviaram um vídeo para a organização da jornada e foram selecionados entre mais de 4 mil concorrentes de todo o Brasil – 400 foram escolhidos e 107 compareceram.

Coordenadora do evento, Pâmela Coelho explica que o lançamento acima de 140 metros de distância já dava o título de vencedor. “Os campeões receberam material didático e troféus no formato do foguete brasileiro VS-40 (movido a combustível sólido)”, detalha. “Para os vice-campeões, o prêmio foi na forma do VSB-30 (‘foguete-sonda’ adaptado com um propulsor tipo impulsionador). Tiveram ainda os que receberam menção honrosa. Estes levaram uma réplica do Sonda III”, destaca Pâmela.

Vinagre e bicarbonato

Durante a jornada, os jovens apresentaram seus foguetes de garrafa pet e suas bases de lançamento. Os protótipos, conforme explica Lucca e Guilherme, são movidos a combustível líquido composto de vinagre e bicarbonato de sódio - que pode ser encontrado no fermento em pó.

“A mistura dos dois componentes gera um sal, mais o ácido carbônico. Como este último é instável, se divide e forma água e CO2 (gás carbônico). O CO2 é o que dá volume e pressão suficiente para o foguete voar. A gente ainda pode controlar a distância do lançamento, diminuindo a proporção dos componentes”, explica Lucca.

A base de lançamento é feita de chapa de ferro dobrada e alumínio reforçado. “Minha família tem uma pequena indústria de máquinas, o que ajudou na montagem”, explica Lucca, acrescentando que toda a elaboração do projeto foi orientada pelos professores de física João Carlos Ariede Filho e Flávia Queiroz Costa.

Os dois alunos descobriram a paixão por foguetes ainda crianças, com influências de professores e familiares. Lucca quer estudar engenharia aereoespacial e sonha em trabalhar na Nasa. “Na parte de desenvolvimento de foguetes”, detalha. Guilherme visa cursar engenharia aeronáutica e se tornar piloto de avião. “Ou trabalhar no desenvolvimento de aeronaves”, acrescenta.  

Alfa, beta, gama

O foguete bauruense foi batizado com base nas três modalidades de radiações:  alfa, beta e gama , que podem ser separadas por um campo magnético ou por um campo elétrico. A base do protótipo recebeu o nome de Altair. “É a estrela que mais brilha na constelação de Aquila/Águia (constelação do Equador Celeste)”,  explica Guilherme.

A dupla possui dois foguetes, denominados Alschain (águia) e Tarazed (voador), nomes das segunda e terceira estrelas mais brilhantes da constelação Aquila, respectivamente. “Na ordem, Altair (base do foguete), Alshain e Tarazed trazem os conceitos de alfa, beta e gama”, detalha Lucca.

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