Depois de 16 dias de greve, os petroleiros da Replan, em Paulínia (SP), retornaram ao trabalho, ontem. A maior refinaria da Petrobras no Brasil é responsável por abastecer as revendedoras de gás de Bauru e região, mas, mesmo com a retomada das atividades, ainda há falta do produto em Bauru.
Contatada pela reportagem, a Petrobras informou que o abastecimento foi normalizado na região ainda no sábado e que “dificuldades referentes à operação de instalações de entrega de GLP” podem ter causado problemas pontuais de suprimento na última semana. Os varejistas, contudo, contestam esta informação, alegando que os problemas continuam.
Proprietário de quatro estabelecimentos que comercializam botijões domésticos (13 quilos) e industriais (45 quilos), Vilson Albano conta que, desde a semana passada, a inconstância na entrega do produto, normalmente realizada todos os dias, se agravou. “No sábado, recebi um pouco. Na semana passada, recebemos 20% do volume normal e só duas vezes na semana. O prejuízo é grande. Tenho dez funcionários, despesas fixas com energia e água e não estou vendendo”, reclama.
A revendedora do empresário Renato Leite, localizada no Jardim Ferraz, interrompeu o atendimento aos clientes na tarde de sábado e durante todo o domingo devido à ausência de mercadoria. Segundo Leite, até ontem os caminhões das distribuidoras seguiam parados na Replan, aguardando a disponibilização do gás refinado para que os botijões pudessem ser envasados e distribuídos às respectivas revendedoras.
| Pedro Ventura/ Agência Brasília |
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| Segundo revendedoras, até ontem os caminhões das distribuidoras aguardavam a entrega do gás na refinaria |
“Em razão desta dificuldade, a lista de espera de clientes ultrapassou os 30 nomes. Hoje (ontem), consegui arrumar 40 botijões com outros colegas do ramo, mas amanhã (hoje) não tenho perspectiva de conseguir mais”, completa.
De maneira geral, apenas revendedores com menor demanda não sentiram de maneira tão intensa os impactos da paralisação. É o caso, por exemplo, do empresário Laerte Martins, que possui um estabelecimento na Vila Independência.
Mas, assim como Leite, ele também tem recorrido a outros varejistas para conseguir atender a clientela. “Pego uns botijões de um, outro tanto de outro. Hoje (ontem), recebi mais um pouco da companhia. E acaba não faltando”, diz ele, que comercializa cerca de 20 botijões por dia.
Fim da paralisação
Diferentemente do que grande parte dos petroleiros do País decidiu, os funcionários da Replan acataram a recomendação da Federação Única dos Petroleiros (FUP) pela suspensão da greve, em assembleia realizada na última sexta-feira. A decisão foi tomada após a Petrobras oferecer um reajuste de 9,53% nos salários e em outras parcelas remuneratórias, bem como a criação de um grupo de trabalho para discutir as demais reinvindicações dos petroleiros em todo o Brasil.
A categoria pede, entre outros itens, a permanência da Petrobras como empresa estatal, a manutenção dos empregos e a garantia de condições seguras no trabalho. Os funcionários da Replan seguem em estado de greve, na expectativa de que a companhia cumpra as cláusulas do acordo.
