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Eficiência e economicidade: é hora do interesse público!

Manoel Messias Mello
| Tempo de leitura: 3 min

Ainda sobre a matéria jornalística publicada na edição do Jornal da Cidade de 19.10.2015 – página 3, intitulada “O futuro da polícia em debate”, devo comentar ao segundo tema, quando a entrevistada, representante do Adpesp, diz que ...“modelo da Polícia Militar é ultrapassado e remete aos tempos da ditadura”. Essa assertiva está ultrapassada e foi usada em outros tempos como defesa de interesses corporativistas. O momento é de equilíbrio.

A Polícia Militar é uma organização de vanguarda e que se modernizou no correr dos tempos. Não há uma polícia militarizada, mas sim uma organização com estética militar. Mire-se o convênio da Policia Militar de São Paulo e a polícia japonesa. Isso remete a duas virtudes importantes, que são observadas nas maiores e melhores empresa privadas, mormente as multinacionais: disciplina e hierarquia. Se estudarmos um pouco os organogramas das empresas de sucesso no mundo corporativo verificaremos que a principal característica dessas organizações é a existência de uma estrutura organizacional sólida e compreendida por todos, pois tem como objetivo identificar as áreas funcionais e pessoas ligadas a elas. A representação gráfica por meio de organograma representa a estrutura formal, apresentando os diversos setores, suas posições e respectivas interdependências, via hierárquica, itinerário de comunicações, vinculação e subordinação. A principal função do organograma no mundo corporativo é apontar os sistemas de responsabilidade e autoridade da organização, por meio de uma estrutura hierárquica. 

Na Polícia Militar, similar às corporações mercantis, são representadas pelos postos e graduações. Imagine uma organização com 100 mil funcionários sem essa estrutura formal? Aliás, quem conhece um pouco de administração saberia que esse modelo de organograma foi levado por especialistas da época das organizações militares para o mundo corporativo. Falo sobre isso com bastante tranquilidade, pois sou o autor do livro “GESPOL: Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo”, que foi prefaciado pela Fundação Nacional da Qualidade – FNQ, detentora da aplicação do conceito do Pensamento Sistêmico, aplicado na gestão da Polícia Militar, cuja característica é o entendimento das relações de interdependência entre os diversos componentes da organização, bem como entre a empresa e o ambiente externo. Como chamar tudo isso de ultrapassado? Seria ultrapassado ter um sistema de integrado de gestão? Seria ultrapassado reconhecer a interdependência de diversos atores envolvidos no processo? Seria ultrapassado dialogar com as partes e entender os anseios dos clientes? Seria ultrapassado ter uma gestão focada em resultados? Seria ultrapassado possuir um sistema corporativo de avaliação de desempenho de seus funcionários?

Para finalizar, vejo na reportagem algo que vai à contramão do que foi decidido na esfera política. Diz respeito ao pacto federativo. Os entes federativos não poderão transferir despesas e obrigações aos munícipios sem que haja transferência de recursos financeiros e tecnológicos que suportem a obrigação transferida. Como e a que custo transferir a prevenção para o município, por meio de guardas municipais, se hodiernamente as cidades não conseguem nem mesmo cumprir com suas obrigações na esfera da saúde, educação, iluminação pública e saneamento básico, os quais são fatores que interferem diretamente na questão da criminalidade.

Reitero que é preciso pensar o futuro. O que importa é o interesse público. Devemos implantar modelo de sucesso já comprovados na maioria dos países, desenvolvidos e em desenvolvimento, onde existe uma polícia com estética militar e um braço civil investigativo a ela ligado no organograma. A base é eficiência e economicidade. É hora de desprendimento em prol do interesse público.

 

O autor é coronel PM, bacharel em Direito, com doutorado em Ciências Policial de Segurança e Ordem Pública. Especialista em Planejamento Estratégico e Gestão Estratégica Competitiva. Autor do Livro “GESPOL: Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo”. Sócio diretor da MOConsult – especialista em planejamento estratégico

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