Regional

Alunos ocupam Escola Padre Aquino em Agudos

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Malavolta Jr.
Professores acompanharam o ato dos estudantes da escola Padre Aquino de Agudos do outro lado da rua
Meire Hellen Fernanda Prado reclama que estudantes não foram ouvidos sobre a reorganização do ensino

Nessa quinta-feira (19), por volta das 6h, cerca de 70 estudantes da Escola Estadual Padre João Batista de Aquino, em Agudos (13 quilômetros de Bauru), ocuparam o prédio da unidade em protesto contra a reorganização do ensino proposta pelo governo do Estado. A escola é uma das 94 que, segundo relação divulgada no mês passado pela Secretaria de Educação, serão disponibilizadas aos municípios.

Os alunos levaram para o interior do prédio colchões, roupas e alimentos. Do lado de fora, os professores e funcionários acompanharam a manifestação. Uma das líderes do movimento, Meire Hellen Fernanda Prado de Souza, 16 anos, que cursa o 2º ano do Ensino Médio na unidade, reclama que os estudantes não foram ouvidos.

“Todas as escolas estão sendo ocupadas. É uma forma de mostrar que ela é patrimônio nosso, a gente paga imposto para ter, não é uma empresa particular do governo na qual ele pode chegar e mandar”, diz. Ela reclama que, com a mudança para a Escola Estadual João Batista Ribeiro, os alunos terão de percorrer uma longa distância.

“Essa é a única escola acessível para deficientes. Todo mundo foi mandado para o ginásio, que é muito longe da casa da gente. A gente tem que atravessar a linha do trem para chegar lá. Fica muito perigoso”, declara. “Muita gente vai ter que sair do emprego para poder ir para a escola. Prejudicou muito a vida de todo mundo aqui”.

Segundo a estudante, o protesto não tem previsão para terminar. “A gente vai ficar até quando o governo recuar e deixar a escola aberta. Eles dizem que estão abertos para opiniões, só que ninguém acatou a opinião da gente de não fechar a escola”, afirma. “Tem pais que querem ficar aqui com a gente e todo apoio é bem-vindo”.

Apoio

Rodrigo Augusto Tobias Pinto, de 19 anos, que estudou na Padre Aquino até o ano passado, participou da ocupação em apoio aos alunos. “É uma situação triste de ver. A gente precisando atrair os alunos para que eles estudem, tenham mais interesse, colocar mais professores, e o governo quer fechar escolas”, critica. “Não é justo com alunos, com professores e com funcionários”.

Nessa quinta (19), às 19h, pais e alunos fizeram assembleia em frente à escola e os jovens decidiram manter a ocupação. A Padre Aquino possui os ciclos fundamental II (do 6º ao 9º ano) e médio (1º ao 3º ano) e conta com cerca de 500 estudantes. O estado diz que a proposta de dividir escolas por ciclos de ensino visa à melhoria da qualidade da aprendizagem.

Aluno

Neuza Gomes, mãe de cadeirante de 15 anos que cursa a 7ª série na Padre Aquino, procurou ainda nessa quinta o Ministério Público (MP). “Ele é uma criança que necessita de cuidados especiais”, diz. “Como vou fazer para cuidar dele com a escola tão longe?”. Ela conta que, há três anos, a pedido dela, a direção adaptou o prédio para cadeirantes. “E essa escola, vai ser o quê?”, questiona. Neuza também rebateu declaração do Estado de que seu filho foi matriculado na Escola Farid Sayad. “Eu não assinei nada ainda”, afirma.

Secretaria de Educação diz que aulas serão repostas

Em nota, Diretoria Regional de Ensino de Bauru informou que o conteúdo pedagógico perdido pelos alunos nas escolas ocupadas será reposto após o encerramento do calendário oficial, estabelecido entre 18 e 23 de dezembro. “Portanto, as aulas serão estendidas para que o conteúdo seja aplicado”, diz.

A Diretoria ressaltou ainda que continua disposta a dialogar com manifestantes, “apesar das constantes negativas desses grupos” e que “reconhece o direito à livre manifestação”, mas não pactua com sindicatos e movimentos que, segundo o órgão, são “os principais articuladores de algumas ocupações” e “cerceiam o direito dos alunos de assistirem as aulas”.

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