Tribuna do Leitor

Em defesa da reorganização escolar

Antonio Vitorino Ferreira
| Tempo de leitura: 2 min

Tenho observado as críticas em relação à reorganização das escolas estaduais a ser implantada a partir do ano que vem, e verifiquei o seguinte: alguém disse que isso seria ruim e as pessoas comuns sem procurar entender o que está ocorrendo aceitou isso como verdade. É inegável que toda mudança causa impactos (positivos ou não) para as pessoas, resta, portanto, saber quantas pessoas serão efetivamente beneficiadas ou não com essas mudanças.

Observo que os interesses político-partidários e corporativos têm sido colocados à frente dos reais interesses da população. Não se trata de ser favorável ao atual governo estadual. O fato é que qualquer governo tem que administrar os recursos públicos de forma a garantir a otimização dos mesmos. É isso que está ocorrendo: se existem escolas não utilizadas plenamente essas devem ser reorganizadas e até mesmo fechadas, garantindo dessa forma que esses recursos sejam aplicados naquelas unidades que exigem uma demanda maior.

Nesse sentido observo também uma tática perversa por parte das pessoas que estão por trás do movimento contrário à reorganização, aliciando menores para “ocupar” os prédios escolares. Menores esses, que, em sua maioria, vão freqüentar por apenas mais um ou dois anos aquela escola e que depois irão (alguns!) cursar uma faculdade. Também existe um intenso movimento nas redes sociais em que essas pessoas incentivam outros alunos a “curtirem” a ocupação dessa ou daquela escola. Alguém já parou para pensar por que essas pessoas não invadem os prédios escolares e se utilizam de uma “massa de manobra” facilmente manipulável para fazerem isso por elas?

Vários são os fatores que justificam a reorganização escolar, dentre eles estão o envelhecimento da população de bairros antigos e tradicionais e a abertura de novos bairros cada vez mais distantes, em que residem as pessoas mais jovens e que, por conseguinte, têm mais filhos em idade escolar.

Também existem os conflitos envolvendo alunos de idades diferentes, dentre esses conflitos, apenas três já justificariam a medida governamental: os casos de bullying, o assédio sexual/gravidez precoce/doenças sexualmente transmissíveis, e o maior de todos: as drogas, que vêm atingindo uma camada cada vez mais jovem da população escolar. Logicamente, a reorganização escolar sozinha não é a solução para esses problemas, porém inegavelmente oferecerá elementos para melhor combatê-los.

Por fim, é importante ter-se em mente que a reorganização escolar é um processo, e, portanto, passível de adequações ao longo do mesmo.

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