Articulistas

Aos músicos

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Que surpresa para um expert em nada: sediada no litoral, a rádio Santa Cecília assim se chama por ser Cecília a santa padroeira dos músicos. Oportuna revelação para hoje, Dia do Músico.

Meio avoado e muito concentrado quando preciso. Muito preciso quando inspirado: taí um resumo visual desse ser bacana entre humanos ouvintes. De fato, sem os músicos, estaríamos atordoados num silêncio sem melodia. Como Teseu num labirinto quieto e vazio.

Do virtuoso ao mais econômico em notas e frases, o músico ajuda a dar algum equilíbrio na nossa rotina caótica - ainda que a própria rotina dele seja, por vezes, uma bagunça. Dizem que a mesa bagunçada no trabalho é sinal de que a pessoa dali é criativa. Redenção? Minha mesa clama por arrumação, mas que nada: eu me apego à tal crença da criatividade no sonho de ser agraciado com alguma boa ideia.

Existiria aí algum músico cuja mesa seja arrumada? Aliás, existe músico que faça sistemático uso de mesa? Sei não, o músico é a própria imagem da liberdade. Isso é sedutor. Tive uma colega de trabalho que dizia: “Não resisto a um cara com guitarra no palco”. Na época, quase comprei uma. Há mesmo um brilho nesse negócio de estar numa plataforma ligeiramente elevada em relação aos demais. Mas não se pode “pagar pau” sem critério: há músicos mais ou menos. Porém, até mesmo aquele não provido de tantos recursos, pode - se quiser - compensar com estudo, empenho, atitude e alma inventiva. Fico especialmente feliz em perceber quantos ótimos músicos tem Bauru. Chego a suspeitar que a água que chega na minha casa não tenha a mesma fonte: a dos músicos deve ser um aquífero específico, que só abastece quem já tem algum talento latente. Dessa água somos todos apreciadores de alguma forma.

A boa notícia é que a fonte é inesgotável e, em que pese o predomínio comercial de um ou dois gêneros, sempre haverá uma nova safra de músicos espetaculares a matar nossa sede de som. Por falar nisso, hoje tem chorinho (Jd. Botânico, 10h), samba paulista (Sesc, 16h) e rock (Pq. Vitória Régia, 17h) só para ficar nas atrações gratuitas. E, mesmo que você não saia de casa, pense na música que mais gosta. E, em intimista homenagem aos músicos, tire três minutos e meio para novamente ouvi-la. Nietzsche, o filósofo e compositor alemão, teria dito: “A vida sem música seria um erro”. Não vamos errar justo num dia de domingo.

O autor é editor executivo do JC

 

Comentários

Comentários