| Quioshi Goto |
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| Entre praticidades e a “missão” de ajudar pessoas no trânsito, Quatrina é um convicto morador da Duque de Caxias: “Nunca pensei em sair daqui, dá dor no coração” |
Quando a reportagem do Jornal da Cidade procurava por uma residência na avenida Duque de Caxias, encontrou Luiz Carlos Quatrina, 69 anos, plantando flores no quintal. O detalhe é que seu oásis da natureza é separado apenas por uma grade de uma das vias mais movimentadas de Bauru.
Há quase 30 anos ele mora na quadra 13 da Duque, bem perto do viaduto sobre a avenida Nações Unidas, ao lado de um ponto de circular, em frente a um dos principais salões de festa de Bauru.
“Isso é uma loucura o tempo todo! Mas a gente acostuma. Assisto TV numa boa. Fico na varanda com meus irmãos tomando uma cervejinha e batendo papo... Nunca pensei em sair daqui, dá dor no coração”, conta Quatrina, que além dos pontos comerciais divide o quarteirão com apenas outras três residências.
O próprio Quatrina já teve junto à casa uma sorveteria e o irmão mantém, na quadra de cima, uma floricultura. A família, que veio de Pirajuí no início da década de 1970 convencida por ele, o mais velho de oito filhos, apostou na Duque para morar e empreender quando a avenida não era tão famosa e o comércio se concentrava apenas no Centro.
Solidariedade
O barulho dos veículos é tão intenso que, em princípio, foi difícil conversar. Depois, o clima do jardim e o bom humor de Quatrina, excelente contador de histórias, chamaram mais a atenção do que as buzinas e os motores.
Aliás, histórias não faltam. “Aqui vejo cada uma... Mas não sei de nada!”, brinca. Infelizmente, ele também já viu alguns acidentes de trânsito e muito carro quebrado - ou “morto”, já que está diante de uma das rampas mais “temidas” de Bauru.
“Sempre socorro quem está com problemas em frente da minha casa, nem que seja levando um copo de água. Já vou perguntando se a pessoa é diabética; se não for, coloco açúcar para acalmar”.
Outro dia ele foi abordado no mercado por uma mulher que nunca esqueceu seu gesto de solidariedade. “Ela contou que há alguns anos bateu o carro bem aqui e eu cuidei do seu bebê até tudo se resolver. Muito agradecida, a senhora chamou o ‘bebê’ para eu ver... Já era um moço de uns 17 anos!”, relembra empolgado.
Ali, Quatrina acaba conhecendo muita gente e se sente seguro, já que tem sempre muito movimento. Às vezes, até demais.
“Dureza mesmo só as festas que vão até 6h da manhã... Às vezes, até os noivos saem fazendo algazarra! Quando termina a festa chega o pessoal para tirar a decoração... Mas tudo bem, estão trabalhando, né?!”

