Política

DAE: gestão de Giasone Candia é alvo da Câmara

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Lima Júnior, Bussola e Carlão do Gás destacaram descontrole 

As recorrentes críticas à gestão do Departamento de Água e Esgoto (DAE), que já vinham se intensificando nas últimas semanas, ganharam ainda mais força na sessão da Câmara Municipal dessa segunda-feira (23), quando vários vereadores chegaram a, implícita ou explicitamente, pedir a saída do presidente Giasone Candia. A grande quantidade de vazamentos, a lentidão nos consertos e na reposição asfáltica dos buracos, além de supostos rombos orçamentário-financeiros da autarquia pautaram os discursos.

A subida de tom por parte dos vereadores foi justificada pelo recebimento de uma carta – não assinada com o suposto intuito de evitar represálias – produzida e endossada por servidores de carreiras do departamento.

O conteúdo foi lido na tribuna legislativa por Moisés Rossi (PPS), que puxou o coro pleiteando a exoneração de Giasone. “A incompetência vem sendo mostrada semanalmente”, pontuou o parlamentar, que acusou o DAE de, deliberadamente, fechar os registros da rede de distribuição de água nos bairros, com o objetivo de racionalizá-la.

Telma Gobbi (PMDB) chamou o presidente de intocável, alegando que Candia “é uma pessoa boa, mas está no lugar errado”.

Já Carlão do Gás (PR) foi mais ácido ao insinuar, ironicamente, que Giasone tinha passado cola sobre sua cadeira na autarquia.

A CARTA

Na carta destinada aos vereadores, supostos funcionários pedem a criação de uma comissão na Câmara para se dedicar exclusivamente à autarquia. Isso porque enxergam o andamento de um projeto que teria como objetivo final a privatização do órgão municipal.

O grupo de servidores sugere que as dificuldades que vêm sendo enfrentadas pelo DAE não estariam sendo sanadas de forma efetiva para que, com as dificuldades vendidas, fosse apresentada a suposta solução de transferência da gestão dos recursos hídricos de Bauru à responsabilidade de uma empresa privada. A execução do “plano” é atribuída a Giasone Candia, a mando do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).

A carta observa ainda que, mesmo com investimentos milionários na produção de água e na renovação da frota, a autarquia não conseguiu recuperar sua credibilidade junto à população.

RESPONSABILIDADES

Durante o debate, Paulo Eduardo de Souza (PSB) destacou a necessidade de se rediscutir o DAE, em busca de resultados concretos. “Estamos elaborando um projeto de lei para que a gestão da água seja monitorada por esta Casa”.

Sandro Bussola (PT) e Fabiano Mariano (PDT), por sua vez, destacaram que a responsabilidade sobre os problemas é do prefeito, que tem a prerrogativa de nomear o comando da autarquia. “O gabinete do prefeito tinha que se mudar para o DAE até recuperá-lo. A informação que nos chega é que as novas ligações de água estão suspensas durante um mês por falta de material”, alegou.

Vereador aponta ‘déficit’ de R$ 17 milhões em 2015

Líder da oposição, Lima Júnior (PSDB) afirmou, durante a sessão, que o DAE arrecadou de janeiro a outubro deste ano R$ 17 milhões a menos do que o previsto pelo Orçamento de 2015. A estimativa era de receita de R$ 77 milhões para os dez primeiros meses. A autarquia, no entanto, só arrecadou R$ 60 milhões, segundo o parlamentar.

“É uma perda de R$ 2 milhões ao mês, mesmo com reajuste de 35% na tarifa de água. É claro que, desta forma, não vão conseguir tapar buracos, trocar a rede, reformar a Estação de Tratamento de Água nem promover novas ligações. Mas é preciso lembrar que, em uma canetada, o prefeito aumentou o custeio da autarquia em 20%, com o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS)”, criticou o tucano.

O JC apurou, extraoficialmente, que técnicos da Secretaria de Finanças foram escalados para ajudar a equacionar a real situação do DAE, que, mesmo com cortes, já teria empenhado gastos superiores à sua receita. Há cerca de duas semanas, a diretora financeira da autarquia, Elis Anjos, pediu exoneração do cargo. A ex-servidora teria alegado dificuldades de relacionamento com o presidente Giasone Candia e falto de respaldo para a tomada de decisões impopulares.

Presidente responde

Procurado pelo JC,  Giasone Candia disse desconhecer a carta de servidores, bem como seus autores. Ele afastou ainda qualquer chance de privatização da autarquia durante o governo Rodrigo. “O prefeito firmou um compromisso político e ele será mantido”.

Candia rebateu algumas críticas de vereadores, alegando que, ao longo dos 3 anos à frente do DAE, dedicou-se integralmente à gestão. “O meu único interesse é o trabalho”, garantiu. O presidente demonstrou, no entanto, grande incômodo em relação ao discurso de Carlão do Gás, que falou sobre a cola na cadeira do DAE. Sobre a situação financeira, Giasone admitiu ser difícil “em razão da crise econômica e política”, mas não confirmou nem negou os números divulgados pelo vereador Lima Jr. Ele explicou que, com a saída de Elis Anjos, acumulou a diretoria financeira, mas teria que conferir as informações com os funcionários do setor.

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