Tribuna do Leitor

Aos apoiadores da beatificação alckmista

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História 
| Tempo de leitura: 2 min

O Governo estadual comandado por Alckmin e ele mesmo enquanto pessoa possui uma infinidade de fiéis seguidores no Estado de São Paulo, desses que o defendem com unhas e dentes e sob quaisquer circunstâncias. Não escolhem a causa, nem olham os motivos. Agem assim: partindo do governador, aplausos e apupos. Mesmo em casos de hesitações, erros e pisadas na bola, a ‘tropa de choque’ busca os culpados na oposição, mesmo essa não tendo motivo algum para ser culpabilizada. Essa “beatificação” do Alckmin é danosa para a sequência dos trabalhos, pois lhe passam às mãos na cabeça até nos mais descabelados erros. Não é só questão de falta de seriedade, tratando-se também de algo muito perigoso, uma espécie de salvo conduto para que faça daqui por diante tudo ao seu bel prazer e sem possibilidade de discordância. Algo necessitando de ser desestimulado, afinal, ninguém é perfeito e acerta sempre, muito menos Alckmin.


O exemplo mais recente e gritante é o que fica demonstrado na carta publicada na Tribuna do Leitor do JC de 22/11, “Aos apoiadores da Apeoesp”, escrito por Kleber R. Moni. Seu texto é todo construído para confundir, misturar fatos, espalhafatoso e ineficiente. Claro que a Apeoesp não é nenhum exemplo de sumidade em acertos, mas querer culpá-la pelos caos causado pela insanidade da reestruturação educacional em São Paulo é no mínimo grotesco.  Inaceitável a intencional bobageira de misturar uma específica queima de livros com Alemanha Nazista, mascarados professores com ideologia marxista e doutrinação em sala de aula com deixar de ensinar. Isso só existe na cabeça de gente totalmente despirocada da realidade, enxergadores de fantasmas até em vento ao contrário.


Menospreza também a organização e conscientização estudantil e joga toda a culpa no sindicato, nunca no atual governo e em suas maléficas pretensões.  Percebo a incitação a um bestial e desqualificador medo coletivo em curso, algo sendo tolerado, pois servem a algumas conveniências. Ou abortamos essa linha de ação totalmente fora da realidade, ou estaremos propiciando o surgimento de uma verdadeira caça às bruxas logo mais na curva da esquina. Repúdio é pouco para tudo o que li. Quem fundamenta num só texto tantas inverdades não pode passar impune, tem que responder pela brutal e insana provocação, item por item.


Escrever é um ato de coragem, mas quando se coloca no papel uma infinidade de admoestações grotescas à adversários, provocações desnecessárias e com a clara de intenção de causar, de gerar o ódio, a resposta irada e o confronto, além da falta de responsabilidade, a perversidade de querer desestabilizar o já instável momento claudicante brasileiro. Um texto como esse deve ser repudiado pelo próprio homenageado, o governador, pois o vejo com a mesma intenção bajulatória daquele cidadão que o quis homenageá-lo com troféu e diploma pela gestão eficiente da água em São Paulo. Menos, gente, muito menos. Apoiem, sem problemas, mas sensatamente, sem falácias e enaltecimentos acima do razoável. Ou ele já é santo e não sabíamos?

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