| Douglas Reis |
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| Bombeiros e policiais retiraram o feto do bueiro na quadra 18 da Nações |
Um feto foi encontrado em um bueiro que fica na quadra 18 da avenida Nações Unidas, sentido Terminal Rodoviário-Centro, em Bauru, no final da manhã dessa terça-feira (24). O corpo era de um menino e já estava formado, possivelmente, após uma gestação entre sete e oito meses, conforme aponta a Polícia Civil.
A tampa do bueiro estava entreaberta em razão da força da água, que a empurrava para cima. Entre a estrutura de ferro e a calçada, era possível ver parte da mão esquerda do feto, uma vez que dois dedos estavam expostos. Uma mulher seguia para o trabalho e, ao passar pelo local, por volta das 11h30, se deparou com a cena e acionou a Polícia Militar (PM).
De início, os policiais chegaram a suspeitar que pudesse ser o feto de um animal, mas depois de retirar a tampa do bueiro, com a ajuda dos bombeiros, eles conseguiram identificar que se tratava de um feto humano. A Polícia Científica, então, foi acionada para o trabalho de perícia técnica.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames. Acredita-se que as fortes chuvas que atingiram a cidade nas últimas horas contribuíram para a localização do feto, que teria sido impulsionado para fora do bueiro devido à força da água. A tampa estava entreaberta e jorrava o líquido para cima, como se fosse um chafariz.
Triste cena
"Quando fecho os olhos, ainda vejo o feto sendo ‘cuspido’ pelo bueiro. Um menino que não teve a chance de viver. A cena que presenciei ontem só me faz pensar em uma frase: estamos perdendo a batalha...”
Marcus Liborio - Repórter do JC
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E agora?
Segundo o delegado Mário Henrique Ramos, o caso foi registrado como aborto praticado por terceiro com consentimento da gestante. “Se a mãe tivesse abortado espontaneamente ou se tivesse tomado algum remédio sem saber, iria para um hospital, não jogaria no esgoto. Diante dessa situação, me parece que a gestante procurou alguma clínica clandestina”, defende.
A partir de agora, a Polícia Civil aguardará o resultado de alguns exames. O delegado solicitou que o IML verificasse se o feto era viável, porque, “às vezes, a gestante sabe que teria alguma doença degenerativa e aborta”, diz. Ramos também pediu a coleta de material genético, a estimativa do tempo da gestação e o procedimento que teria sido usado para a retirada do feto.
Além disso, a polícia verificará câmeras de segurança da região, porque o feto poderia tanto ter sido depositado em um vaso sanitário e caído na rede de esgoto quanto dentro de uma boca de lobo. O delegado também afirma que percorrerá postos de saúde e clínicas que fazem pré-natal em busca de alguma atitude suspeita.
Serviço
A Polícia Civil também pede a ajuda da população. Se alguém suspeitar de alguma gestante que interrompeu a gravidez de forma suspeita, basta fazer uma denúncia através do 197. O anonimato é garantido. O delegado informa que a pena para quem pratica o aborto é de um a quatro anos de reclusão. Já a gestante que o consentiu pode ser condenada à reclusão de um a três anos.
