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Com a #meuamigosecreto campanha na web visa denunciar o machismo

Ana Borges
| Tempo de leitura: 3 min

Pelo menos 58% dos brasileiros acreditam que, se as mulheres soubessem como se "comportar", haveria menos estupros no País, segundo um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Dados como esse, mostram apenas um dos inúmeros pensamentos retrógrados e preconceituosos que as mulheres enfrentam no dia a dia.

Reprodução Internet
A Campanha #meuamigosecreto viralizou no Facebook e se tornou uma arma  contra o machismo sofrido pelas brasileiras 

Muitos dos abusos machistas, às vezes, vêm disfarçado e são proliferados através de pessoas próximas, o que torna o problema ainda mais grave, como por exemplo, abusos do namorado, amigo, irmão ou até de pessoas da família.

Para denunciar a violência contra as mulheres é que surgiu a campanha virtual #meuamigosecreto que viralizou nas redes sociais como uma arma contra esse problema.

O principal objetivo é que as mulheres usem o Facebook e coloque na frente a hastag #meuamigosecreto para relatar esses abusos sofridos ao longo da vida para ajudar e até evitar  que outras pessoas sejam vítimas de situações parecidas.

Essa ação visa mostrar a força das mulheres e a lucidez delas no combate a uma sociedade machista. A violência contra a mulher pode ser física, psicológica e emocional, há várias formas de opressão dentro desse contexto que precisa ser discutido constantemente, não apenas no ambiente virtual.

A campanha é nacional e várias bauruenses já aderiram à iniciativa. A jornalista Jéssica Monteiro de Godoy, 24 anos, é uma dessas mulheres que usou sua página pessoal do Facebook para propagar a luta contra o machismo.  

“Em princípio, quando vi algumas meninas postando, já achei muito legal a ideia, mas pensei bastante, tive medo e vergonha de me expor. Procuro ser transparente e isso já me causou sérios danos na minha vida pessoal com homens e mulheres. Mas entendi que eu tinha situações fortes (pelo que elas causaram a mim e às pessoas que convivem comigo) para agregar ao debate. Vejo os vários depoimentos das mulheres (brancas, negras, com boa situação financeira ou não) como uma forma de mostrar que, apesar das diferenças que são necessárias dentro do feminismo (porque a mulher negra, por exemplo, pelo fato de acrescentar aí o racismo, sofre ainda mais que a branca) todas as mulheres sofrem numa sociedade ainda patriarcal e machista, comprovada por números: a 5ª com mais taxa de homicídios de mulheres no mundo segundo o Mapa da Violência 2015”, pontua.  

Para a jornalista é extremamente importante engajar as redes sociais com esse tipo de temática, como uma oportunidade para se discutir, se problematizar. E ainda afirma que o silêncio não resolverá a questão. 

“Há muitas mulheres que aceitam o machismo, que replicam situações e frases machistas, porque não refletiram que esse tipo de preconceito recai sobre elas mesmas. Elas naturalizaram algo que realmente está como natural na sociedade: que os homens são superiores e as mulheres estão aqui para servi-los. Os machistas precisam ter vergonha de agirem assim. Somos seres independentes e quando estamos juntos é para que cooperemos um com o outro, não para que homens subjuguem mulheres. Ninguém nasce com papéis definidos, os papéis são culturais. O papel da mulher submissa não faz bem pra ela, não faz bem pra sociedade”, complementa. 

Veja alguns relatos da campanha #meuamigosecreto:

#Meuamigosecreto não deixa a namorada sair sozinha e faz chantagens para mantê-la em casa. 

#Meuamigosecreto abandonou a família quando percebeu que ia ter responsabilidades (e agora quer que os filhos cresceram, quer voltar a ter contato).

#O feminismo me ajuda muito a me libertar disso tudo e a resolver todos os meus traumas que tive por causa de ?#?meusamigossecretos?. Nós, mulheres, somos infinitamente mais do que todos esses machistas.

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