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Ocupação de escola vai parar na polícia

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação
Salas de aula foram depredadas na escola da Vila Falcão

Ocupada há três dias, a Escola Estadual Professor Luiz Castanho de Almeida, na Vila Falcão, teve as salas depredadas e os materiais espalhados pelo chão, nessa quarta-feira (25) de manhã. O caso foi parar na polícia, que realizou registro de dano com autoria desconhecida. Os ocupantes alegam que a ação foi cometida pelos estudantes que queriam fazer a prova do Saresp. Já a Diretoria Regional de Ensino (DRE) afirma que a depredação se deu à noite, quando apenas os manifestantes estavam lá.

Conforme consta no boletim de ocorrência (BO), por volta das 7h, a Polícia Militar (PM) foi acionada no local, cuja porta da secretaria, além dos armários, estavam arrombados e os materiais, espalhados pelo chão. Diante disso, a Polícia Científica foi requisitada para realizar o trabalho de perícia técnica. A partir de agora, a Polícia Civil trabalha no sentido de chegar até os responsáveis pelo crime.

Por outro lado, os estudantes que estão ocupando a escola Yan Liao de Lima, 17 anos, e Helloyne Canato, 16, negam que algum membro do movimento tenha depredado a instituição. Eles atribuem a ação aos alunos que queriam fazer a prova do Saresp, aplicada nos últimos dois dias. Após um acordo entre diretoria e manifestantes, a escola faria o exame, mas não foi o que, de fato, aconteceu.

Segundo Helloyne, há um decreto que impede a aplicação do Saresp em escolas ocupadas, fato que foi confirmado pela própria Diretoria Regional de Ensino (DRE). Já Yan explica que os manifestantes firmaram um contrato com a diretora anteontem. “Hoje (ontem) teria o Saresp, mas decidimos que a prova não seria aplicada aqui”, diz. Contudo, o ocupante afirma que a direção da instituição de ensino teria incentivado os estudantes a pularem o muro.

O estudante alega ainda que a direção da escola pressionou os alunos. “Eles disseram que, se não fizessem a prova, os estudantes iriam repetir de ano. O cadeado que nós compramos foi até quebrado. Estão falando que quebramos as portas e bagunçamos as salas de aula, mas, na verdade, foram os alunos que entraram aqui hoje (quarta-25) cedo para fazer a prova do Saresp”, argumenta.

Outro lado

Já a dirigente regional de ensino, Gina Sanchez, informa que a Luiz Castanho abriu as portas para o Saresp, anteontem, mas a diretora foi surpreendida por um grupo de seis alunos anunciando a ocupação. “Ela disse que não era possível, porque os estudantes já estavam entrando para fazer a prova”, afirma. Diante disso, Gina conta que houve uma conversa entre eles e um acordo foi firmado: o exame transcorreria normalmente.

Portanto, os alunos se submeteram à prova na última terça-feira (24). Contudo, no dia seguinte, a diretora chegou para dar continuidade ao Saresp e encontrou a porta da secretaria, da sala de informática e da sala da diretoria arrombadas. “Usaram até o computador administrativo da direção”, denuncia a dirigente.

Só alguns alunos conseguiram dar continuidade ao exame no período da manhã. À tarde, o Saresp não foi aplicado.

Movimento continua

A Escola Estadual Professor Luiz Castanho de Almeida foi a terceira a ser ocupada em Bauru. A primeira instituição a protestar contra a política de reorganização proposta pelo governo do Estado de São Paulo foi a Escola Estadual Stela Machado, cuja ocupação já dura nove dias.

Em seguida, estudantes da Escola Estadual Professor Ayrton Bush também fizeram o mesmo há quatro dias. Alunos afirmam que não há previsão, em todas as instituições, de encerrar o movimento.

Na região, nas cidades de Agudos, Lençóis Paulista, Lins também há escolas ocupadas.

Transferidos

Conforme o JC noticiou, alguns alunos que não aderiram às ocupações pediram transferência para outras escolas. Essa procura subiu de 11 para 14, sendo 13 pedidos que partiram da Stela Machado e um da Escola Estadual Professor Ayrton Bush. “Nós temos muito mais alunos contrários do que favoráveis. Recebo cartas de estudantes, pais e professores que pedem alguma providência”, afirma Gina Sanchez.

Por conta disso, a dirigente regional de ensino agendou uma reunião junto ao Ministério Público (MP) e levará todas as cartas de pais e professores para que a Justiça decida “se o direito é da maioria ou da minoria”. Ela frisa ainda que a grande preocupação das pessoas contrárias às ocupações está na reposição das aulas. “Não é que vão repetir de ano, mas após o dia 18 de dezembro, o ano letivo não chegará ao fim nessas escolas”, defende.

 

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