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Alunos do D'Incao Instituto de Ensino analisam água do Rio Batalha

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Alex Mita
Os cerca de 30 estudantes encontraram e analisaram as microalgas e mediram o oxigênio dissolvido e o pH da água do Batalha
Professores Taísa Katz e Pedro D’Incao analisam os dados

Um grupo formado por 30 alunos do sétimo e oitavo anos do D’Incao Instituto de Ensino participaram, no último fim de semana, de um experimento que analisou a qualidade da água do Rio Batalha, através dos aspectos físicos, químicos e biológicos (por meio da análise de microrganismos), da nascente até próximo da foz. Entre os resultados obtidos está a queda significativa na qualidade da água ao longo do seu percurso, porém, o rio ainda suporta a vida aquática com certa qualidade. 38% da água que abastece Bauru vem do Batalha. Problemas no abastecimento, falta de preservação dos mananciais e de matas ciliares e o assoreamento do rio também foram temas trabalhados com os alunos.

O primeiro ponto de coleta foi na nascente do Batalha, em Agudos. O segundo foi antes da captação de água do município de Bauru. Em seguida, os estudantes coletaram amostras da água em Avaí. Por fim, foram analisadas amostragens nas proximidades da foz do rio, em Reginópolis.

“Fizemos uma pré-análise nos locais de coleta e uma análise biológica de microalgas no laboratório da escola. Levar o aluno para perto do tema abordado faz ele ter maior fixação com o que aprendeu na sala de aula e o ajuda a se transformar em um adulto mais consciente”, comenta a professora de biologia Taísa Katz.

A conscientização ecológica foi o principal foco da atividade, na visão da professora. Ela lembra a importância do trabalho de consciência ainda na infância. “Nesse caso, eles tiveram a oportunidade de observar ao longo do rio como a ação humana pode interferir na qualidade da água. Por isso, adotamos quatro pontos de coleta”.

No percurso

O Rio Batalha nasce na Serra da Jacutinga, município de Agudos, percorre 130 quilômetros até sua foz com o Rio Tietê, passando pelos municípios de Piratininga, Bauru, Avaí, Pirajuí e Reginópolis. O grupo pôde confirmar alguns possíveis resultados já esperados, entre eles a perda de qualidade sofrida pela água no decorrer do percurso até a sua foz, por consequência da ação humana.

“Correlacionamos os dados físicos e químicos com os microrganismos encontrados na água. Era esperado que, à medida que encontrássemos o rio mais poluído, os tipos de microrganismos encontrados, principalmente as microalgas, apresentassem populações diferentes, uma vez que há espécies típicas de água limpa e outras de água mais poluída”, acrescenta o professor de ciências Pedro D’Incao.

Durante o caminho, os alunos fizeram o uso de iPads e equipamentos americanos de coleta e análise de dados. “Sem a tecnologia, esse projeto ficaria prejudicado, no nosso ponto de vista”, acredita Pedro.

Os estudantes encontraram e analisaram as microalgas e mediram o oxigênio dissolvido e o pH da água. “Todo esse conhecimento foi passado antes, em sala de aula. Eles entendem o que os parâmetros significam e como os dados devem ser coletados no rio”, ressalta Pedro.   

Resultados

Após coleta e pré-análise, as amostras foram levadas para o laboratório da escola. “Analisamos o oxigênio dissolvido, um dos principais fatores para análise da qualidade. Embora a água seja composta de átomos de oxigênio e hidrogênio, a vida biológica nela depende de uma outra forma de oxigênio, o molecular. O oxigênio é utilizado pelos organismos na respiração aeróbia. Esta forma de oxigênio pode ser encontrada nos espaços entre as moléculas de água e está disponível para os organismos aquáticos”, comenta Pedro D’Incao.

A água encontrada na nascente apresentou qualidade excelente com relação ao oxigênio dissolvido. A turbidez, medida relacionada aos sólidos em suspensão na água, também foi medida. O resultado da pesquisa mostrou um aumento dos detritos em suspensão na água, o que provavelmente se deve ao lançamento de esgoto e ao processo de erosão em alguns trechos do rio.

“Com relação à análise comparativa dos microrganismos presentes nas amostras coletadas, os dados serão analisados ao longo das próximas semanas, porém, nas amostras já analisadas, algumas microalgas sensíveis à poluição não foram encontradas nem em Avaí e nem em Reginópolis”, finaliza o professor.

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