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Entrevista da semana: Roberson Antequera Moron

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

Malavolta Jr.
Atual presidente da Unimed Bauru, o bauruense Roberson Antequera Moron é especialista em gastroenterologia
Aceituno Jr.
Na foto, Roberson aparece ao lado da esposa Priscilla e da filha Alexandra

Somente a determinação e disciplina possibilitam ao médico e presidente da Unimed-Bauru ter o seu tempo aproveitado ao máximo entre as coisas que lhe são mais importantes: Família, medicina, administração e hobbies.

Assim podem ser resumidos os dias do entrevistado de hoje: o gastroenterologista e atual presidente da Unimed Bauru, Roberson Antequera Moron. Bauruense, ele ainda destaca a evolução da medicina na cidade Coração de São Paulo. “Hoje o mundo está mais moderno e rápido. Há um tempo, Bauru, por não ter uma faculdade de medicina, não recebia os profissionais que se formavam. Quando eu era garoto, eu tinha estrabismo e muitas vezes precisava viajar para centros maiores pela escassez de profissionais do segmento e recursos disponíveis na época. A realidade de hoje é outra. Bauru cresceu, é a capital do centro do Estado, a medicina evoluiu, os recursos para diagnósticos mais precisos, equipamentos, laboratórios e o conhecimento também. Nesse cenário o hospital de Unimed Bauru, que é referência, é hoje um fator de atração regional e até mais amplo, colocando Bauru como destaque no cenário da medicina e saúde."

Sobre a infância, ele conta que foi desde lá que começou a gostar da medicina e lembra com carinho do título do Bauru Atlético Clube (BAC) comprado pelo pai. “Isso era incrível para mim. Eu saía da escola, ia para casa almoçar e, depois, clube, onde tínhamos esporte, recreação e diversão saudável.  Andávamos a pé. Não havia violência. Eu peneirava peixinhos no rio sob o viaduto ‘Toledão’, que vai para a Vila Falcão. Acompanhei a construção do viaduto, na verdade. Era muito bom ser criança em Bauru naquela época. Também me lembro do teleférico na época da construção do Estoril (risos)”. Leia mais.

Jornal da Cidade – Quando você se ‘encontrou’ com a medicina?
Roberson Antequera Moron – Venho de uma família de imigrantes espanhóis e italianos, que trabalharam na lavoura e depois na ferrovia. Meu pai foi bancário e eles sempre acharam o máximo a profissão de médico. Somos em quatro irmãos e, desde criança, eu também gosto da medicina. Ainda no ensino médio, eu tive um pouco de dúvida, mas vendo a série “Mash”, que gosto até hoje, tive a certeza. Quando menino, me apaixonei pela técnica do operar. Queria ser médico para fazer cirurgias. Achei a questão do movimento manual muito bacana. E ainda acho. Fiz faculdade na Universidade de São Paulo (USP).

 

JC – A escolha da gastroenterologia tem uma história especial?
Roberson – Eu entrei na faculdade pensando em me especializar em cirurgia cardíaca, mas não gostei. Já no terceiro ano, um colega meu, o Eduardo Jacob, trabalhava com o professor Pinotti, um famoso médico e cientista brasileiro, na época um dos melhores do mundo. Ele me disse que iria sair para fazer residência e me indicou para ficar no seu lugar. Fui me envolvendo com a área e comecei a gostar de gastro. Foi natural e comecei bem cedo. Quando me formei, ainda fiz um estágio de um ano na Flórida, nos Estados Unidos.

Arquivo Pessoal
Entre os diversos hobbies de Roberson, está a pesca de fly, onde ele ‘constrói’ as próprias iscas; na foto, ele aparece no Lago Strobel, na Patagônia, Argentina 

JC – O que fez com que você voltasse a Bauru?
Roberson – Eu não tinha a intenção de voltar para Bauru. Já estava trabalhando em São Paulo e seguia uma vida acadêmica. Mas um amigo foi assassinado e aquilo me chocou muito. Eu percebi que estava perdendo muito tempo no trânsito e me preocupando demais com segurança. Já estava noivo e decidimos não viver em São Paulo. A Priscilla (esposa de Roberson) é dermatologista e prestou um concurso do Hospital Lauro de Souza Lima. Ela passou e viemos. Quando eu cheguei por aqui foi bem difícil. A medicina era diferente do que é hoje. Trabalhei nas cidades da região até que permitiram que eu entrasse no Hospital de Base. E as portas foram se abrindo.

JC – A medicina também lhe trouxe o amor...
Roberson – Sim. Começamos a namorar na nossa festa de calouros (risos). Somos da mesma turma.

 

JC – Você disse que a medicina de Bauru era diferente. O que mudou?
Roberson – Hoje o mundo está mais moderno e mais rápido. Há um tempo, Bauru, por não ter uma faculdade de medicina, não recebia os profissionais que se formavam. Vinha uma ou outra pessoa que tinha algum vínculo com a cidade, principalmente familiar. Quando eu era garoto, por exemplo, eu tinha estrabismo e muitas vezes precisávamos viajar para consultas e tratamentos pela escassez de recursos e profissionais da área.  Isso mudou.

 

JC – Bauru, hoje, acolhe melhor os médicos?
Roberson - A cidade está de braços abertos. Os médicos que vêm para cá conseguem entrar. A cooperativa é aberta. Se ele tiver qualificação técnica, ele entra. Quando entrei na Unimed, havia 390 médicos. Hoje há 750. O grande fator de mudança foi a construção do hospital da Unimed. Um hospital bom atrai bons profissionais. Para citar um exemplo simples, construímos uma ala de hemodinâmica, que é o cateterismo cardíaco para quem está com infarto ou aneurisma na coronária. Para fazer isso, trouxemos um aparelho muito moderno, o mesmo que existe nos Estados Unidos. Ele veio para fazer coração, mas atraiu profissionais da neurologia, que cuidam de sangramentos cerebrais. E o hospital vai ganhando complexidade porque agora ele atrai gente. Médico gosta de trabalhar em locais com boas condições de trabalho: equipamento, estrutura e equipe. O hospital de Unimed Bauru é hoje um fator de atração regional. Bauru se tornou uma cidade atrativa.

 

JC – Chegar à presidência da Unimed Bauru foi uma meta que você traçou?
Roberson – Eu nunca pensei sobre isso. Eu gosto de política. Sou um cara muito político, tenho posições duras e me entusiasmo com o assunto. Entretanto, não tinha nenhuma pretensão com isso na Unimed. Comecei a trabalhar no hospital e as coisas foram acontecendo. Sempre dei muito plantão, as pessoas me conheciam muito e a diretoria da época pediu para eu entrar em um conselho do hospital. Depois integrei a comissão de ética, em 1999, onde fui presidente. Fiz parte do conselho fiscal da cooperativa, conselho de administração, fui superintendente, vice-presidente e agora o presidente.  Quando eu estava como superintendente, eu percebi que sabia pouco de administração. Fiz uma pós-graduação de dois anos em São Paulo. Aí o vírus me mordeu. Gostei da administração.

 

JC – Como é conciliar a medicina com a administração?
Roberson – Era mais fácil quando eu era vice (risos). O presidente tem muitas obrigações fora de Bauru, já que as unidades da Unimed se relacionam. Eu viajo muito e precisei parar com os plantões. Estou focado, agora, nos pacientes que já estão comigo. Gostaria de ter mais tempo para fazer tudo.

 

JC – O gostar de política poderá levá-lo a um cargo público?
Roberson – Eu acompanho a política, seja local, nacional ou internacional. Eu gosto da ideia de me candidatar a um cargo público, sim. No momento eu não posso e não sei se terei uma oportunidade, mas eu gosto da ideia. E tenho muito a aprender.  

 

JC – Ainda sobra tempo para hobbies?
Roberson – Tenho muitos (risos). Meu pai pescava da maneira convencional, mas eu descobri a pesca de fly, onde você mesmo constrói uma mosquinha parecida com aquela que o peixe quer comer. É mais prazeroso pegar um peixe com uma isca que você faz. Eu vi em um filme americano, onde se pesca em rios de corredeira e me interessei. Inclusive, já fui pescar por lá. Já pesquei na Flórida, Chile... Eu gosto de pescar em lugares bonitos, com paisagens. Também pesco bastante onde moro.

JC – Por que a ‘nota 10’ para a iniciativa privada?
Roberson – As pessoas no Brasil demonizam o lucro como se ele fosse algo ruim. Eu acho que o lucro é bonito, desde que seja honesto. Se você trabalhou e o outro lado gostou do seu trabalho, comprou e usufruiu dele de livre e espontânea vontade, isso é bonito. Isso é limpo. É uma troca voluntária. Quando o Estado interfere e começa a tabelar preços, dizer quem vai ganhar e quem vai perder, ele acaba criando injustiças...

Perfil

Nome: Roberson Antequera Moron
Idade: 45 anos
Signo: Sagitário
Local de nascimento: Bauru 
Esposa: Priscilla Moron
Filhos: Alexandra Moron
Livro de cabeceira: “A Revolta de Atlas”, de Ayn Rand
Filme preferido: Gosto de filmes de ficção científica, como Jornada nas Estrelas e Guerra nas Estrelas; mas também gosto de comédias, como o seriado “Mash”
Hobby: São muitos: pesca de fly, leitura, tocar violão, andar de bike e viajar
Time de futebol: Corinthians
Estilo musical preferido: Rock. Sou muito fã da banda Pink Floyd
Para quem dá 10: Para a iniciativa privada
Para quem dá 0: Para a corrupção
E-mail: dr.moron@travelnet.com.br

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