Cultura

Colégio de Bauru faz projeto para aproximar crianças e jovens da literatura

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 2 min

Malavolta Jr.
Escritora Ana Maria Machado Silva marca presença no colégio Preve Objetivo (foto) e no Senai

Muitos autores, ao colocar uma dedicatória em seu livro, escrevem: “ao meu amigo...”. E, assim, muitos leitores, principalmente se forem crianças, encontram nessas palavras singelas uma proximidade com quem escreveu; e, quem sabe, uma amizade com a literatura.

Partindo dessa ideia, Inara Damascena, professora de redação do ensino fundamental I, do Grupo Preve Objetivo de Bauru, desenvolveu o projeto “Amigo Escritor”. “A intenção é fazer com os alunos conheçam os escritores de Bauru, conversem, façam perguntas e se sintam mais próximos deles”, explica.

E com toda a espontaneidade que é peculiar às crianças, elas conversaram pra valer com a escritora Ana Maria Machado Silva. Neste mês de novembro, ela participou do primeiro “Amigo Escritor” com estudantes do 1º ao 5º ano (de 6 a 10 anos), no auditório do Teatro Edson Celulari em Bauru.

“Foi muito gratificante! As crianças são sensíveis, verdadeiras e se envolvem facilmente com as histórias”, enfatiza a autora, que tem oito livros publicados, dentre os quais três são infantis.

De acordo com Márcia Trevisani, diretora pedagógica do infantil e do fundamental I, a literatura será um dos destaques das atividades escolares em 2016. “Vamos organizar palestras, exposições dos trabalhos literários dos alunos e trazer autores para a escola, principalmente com o projeto ‘Amigo Escritor’”.

Os resultados devem ser percebidos dentro e fora da sala de aula. “Já trabalhamos livros com temas que destacam o respeito ao outro, a importância da família...

Além da sensibilidade, percebemos que os alunos vão descobrindo o prazer natural pela leitura, desenvolvem a criatividade e o vocabulário”, afirma Inara.

Amiga escritora

Uma das “missões” de Ana Maria Machado Barbosa, enquanto membro da Academia Bauruense de Letras, é ir ao encontro de estudantes nas escolas públicas e particulares da cidade. “Durante os meus  20 anos como escritora sempre me emociono muito com o contato direto, mas crianças e jovens com certeza são mais que especiais, pois fazem parte de um mundo em que o sonho e o idealismo ainda é forte”, partilha.

Para ela, participar do projeto traz na essência o que acredita. “O contato direto é sempre uma troca de energia positiva e essa aproximação não tem o que pague”. Também neste mês de novembro a escritora participou de um bate-papo com adolescentes no Senai. “Conversei sobre capítulos do meu livro de memórias ‘Crônicas de Família’, onde conto  entre outras histórias, meu tempo do colégio nos anos de 1980”.

A reação dos jovens surpreendeu. “Eles se interessaram mais do que eu imaginava, disseram que gostam de ler e acham que a ‘magia’ de ter o livro em mãos não supera a tecnologia”.

Já preocupados com a relação entre sonho, mercado de trabalho e dinheiro, os jovens perguntaram se a escritora não pensou em desistir. “Nunca em momento algum! Sempre tive o apoio dos meus pais e escrever me mantém viva”.

 

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