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Evento na Estação comemorou o mais brasileiro dos ritmos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Fotos: João Rosan
Grupo Elite embalou evento que celebrou o Dia Nacional do Samba
Nestora Vasconcelos; “O clima é bom e, quando tem samba, fica mais contagiante ainda”

Oriundo da mistura de ritmos africanos, o samba se tornou uma das principais identidades da cultura brasileira. E é por sua importância, força e influência que o gênero foi comemorado, nesse domingo (29), em uma grande celebração realizada na Estação Ferroviária.

O evento, promovido pelo Conselho Municipal da Comunidade Negra e Secretaria Municipal de Cultura com organização do músico Silvio dos Santos Pereira, do Grupo Elite, também marcou o encerramento da Semana Municipal da Consciência Negra. Como não poderia deixar de ser, a comemoração foi embalada por muita música, com rodas de samba de diversos grupos - incluindo o próprio Elite - e apresentação da bateria da Mocidade Unida da Vila Falcão.

Houve, ainda, um espaço dedicado à beleza das mulheres, com maquiagem específica para a pele negra, turbantaço e oficina de tranças. A auxiliar de cozinha Keyty Jacqueline da Silva, 33 anos, foi ao evento sem saber que teria a oportunidade de renovar o visual.

Mas, estimulada pela possibilidade de abandonar os procedimentos químicos e deixar o cabelo natural crescer novamente, decidiu sair da Estação Ferroviária com as madeixas trançadas. “Faço escova progressiva e chapinha há cerca de um ano, mas cansei do liso. Ver as meninas trabalhando aqui me ajudou a tomar esta decisão”, pontua.

Identidade

João Rosan
"O samba é manifestação da disposição emocional do negro, apesar de todas as dificuldades", Maria José dos Santos, presidente do Conselho

Presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra, Maria José Oliveira dos Santos avalia que a valorização da estética e da cultura afro contribui para fortalecer as referências da identidade negra. Ela destaca que o samba, gênero nascido dos ritmos trazidos pelos africanos escravizados, remonta a um duro momento da história do País, mas, ao mesmo tempo, à grande capacidade de superação que aqueles negros tiveram e, até hoje, os afrodescendentes brasileiros têm.

“O samba bate no ritmo do coração. É um gênero musical que une as pessoas e mexe com todos os sentidos. Por isso, ele se mantém como uma manifestação da disposição emocional do negro, apesar de todas as dificuldades por que passa”, avalia, destacando que o evento antecipou a comemoração ao Dia Nacional do Samba, oficialmente  celebrado no dia 2 de dezembro.

Apaixonada pelo ritmo, a modelo e cabeleireira especializada na estética afro Nestora Cristina Vasconcelos, 22 anos, dedicou a tarde desse domingo para curtir as rodas de samba e, também, as apresentações de DJs. “Em encontros como este, a gente encontra muita gente conhecida. O clima é muito bom e, quando tem samba, fica mais contagiante ainda. É um ritmo que eu cresci ouvindo e que vou ouvir sempre”, completa.

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