Geral

Após voltar da África, homem morre com malária em Bauru

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Mais um morador de Bauru morreu após contrair malária em uma viagem na África. O motorista Salatiel da Mata Brito, 50 anos, só apresentou sintomas nove dias depois de retornar à cidade. No último sábado, ele foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual de Bauru (HEB), mas sofreu uma parada respiratória e não resistiu. Sob forte comoção, anteontem, o corpo de Salatiel foi enterrado no Cemitério Jardim do Ipê.

Entre os dias 21 de outubro e 12 de novembro, o motorista realizou uma viagem junto ao cunhado para conhecer Angola. Pouco mais de uma semana após ter retornado a Bauru, mais especificamente no dia 22, ele começou a apresentar picos de febre. “Ele tomou dipirona e passou a segunda-feira bem”, acrescenta a esposa Ana Maria de Oliveira Brito, 63 anos, que é enfermeira aposentada.

Contudo, na noite seguinte, a febre de Salatiel retornou. “Na quarta-feira, nós fomos ao Pronto Atendimento do Hospital Beneficência Portuguesa e, inicialmente, a suspeita era de dengue”, esclarece a mulher. No mesmo dia, o motorista fez exames de sangue e urina. “As plaquetas estavam baixas e havia um pouco de infecção urinária”, conta Ana Maria, que já havia alertado que o marido tinha viajado para o continente africano.

Ficou combinado que o paciente retornaria ao hospital no dia seguinte, mas “ele passou bem e não quis ir”, diz a mulher, que insistiu para que o marido fosse. Diante disso, na sexta-feira, Salatiel retornou à unidade de saúde, porque amanheceu pálido e com dor na região do abdômen. “Lá, ele ficou em observação e, por via das dúvidas, em quarentena, mas o quadro clínico não melhorava”, narra Ana Maria.

Agravamento

 

Além dos outros sintomas, Salatiel passou a apresentar falta de ar e diarreia. “Aí tentamos a transferência para a UTI do Hospital Estadual. Porém, ele teve duas paradas durante o trajeto e, ao chegar ao HEB, sofreu a terceira e morreu, por volta das 14h30 do último sábado”, explica a esposa. Em nota, a assessoria de imprensa da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que administra o hospital, confirma que Salatiel foi internado.

Todavia, o órgão alega que, “respeitando toda a legislação que garante o direito ao sigilo médico e à privacidade do paciente, o HEB não tem autorização expressa do responsável legal para detalhar o diagnóstico do caso”.

DIAGNÓSTICO 

 

A assessoria de imprensa do Hospital Beneficência Portuguesa, porém, confirmou o diagnóstico de malária e acrescentou que o paciente foi transferido ao HEB, porque tem infraestrutura para atender esse tipo de caso.

Em relação à notificação da doença, a Famesp esclarece que a comunicação é obrigatória, porém, não precisa ser feita de imediato. Diante disso, a reportagem do JC procurou o titular da Secretaria Municipal de Saúde, Fernando Monti, através da assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru, que informou que o caso ainda não havia sido notificado e a pasta, portanto, não se pronunciariasobre o assunto.

Outro caso

Conforme o JC noticiou, o empresário bauruense Maurício Xavier de Almeida, 34 anos, morreu em maio após contrair malária em uma viagem de negócios na África. Na época, o titular da Secretaria Municipal de Saúde, Fernando Monti, disse que casos importados da doença são notificados esporadicamente em Bauru. Porém, salientou que não havia risco de infecção dentro da cidade, já que não há registros da presença do mosquito transmissor em todo o Estado de São Paulo.

Repelente nas malas

Ana Maria de Oliveira Brito conta que o marido Salatiel da Mata Brito havia levado repelente nas malas, mas talvez tenha se esquecido de utilizar. “Eu acredito que, pelo período de incubação da doença, ele teria sido picado no dia em que embarcou na viagem de volta ao Brasil, já que os sintomas surgiram após nove dias”, diz.


Além disso, a enfermeira aposentada descreve o marido como uma pessoa comunicativa e cercada de amigos. Embora tenha nascido em Ituiutaba, em Minas Gerais, ele morava em Bauru há 12 anos junto à esposa. “Nós nos conhecemos em São Paulo e decidimos nos mudar, porque gostávamos da cidade e eu tenho família na região”, finaliza.

Comentários

Comentários