Tribuna do Leitor

O foco é a qualidade do ensino


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Não é análise da oposição: o deputado presidente estadual do PSDB afirma ao JC de 27 novembro que a educação em SP está um descalabro (“uma parte considerável dos nossos alunos tem desempenho sofrível. Mal sabem ler e escrever, têm dificuldades para interpretar um texto ou para fazer um cálculo simples de matemática.”).

Acresça-se que as avaliações do Saresp, na sua matriz de habilidades e competências, classificam como adequado (?!) um desempenho em Matemática que não apresenta rudimentos de pensamento algébrico e dedução geométrica. Como o não se ir além de fazer cálculos simples e reconhecer figuras pudesse ser chamado de Matemática e, ainda por cima, ser considerado adequado.  E é até esse nível “adequado (!?)” que os resultados do Saresp indicam estar a imensa maioria dos alunos da rede pública estadual do estado mais rico da federação. 

Então a atual reorganização escolar poderia melhorar o desempenho escolar em 28%. Oras bolas, 28% de quase nada é menos do que ninharia.

Se o foco fosse mesmo a qualidade do ensino, haveria um esforço sério, nesses 20 anos de desgoverno educacional tucano, para atingir metas educacionais que aproximassem SP do preconizado por estudos que ninguém contesta: escola em tempo integral, máximo de 20 alunos por sala de aula no primeiro ciclo do ensino fundamental e de 25 alunos nas séries restantes, além de salários decentes aos docentes.

O próprio deputado elenca dados que permitiriam uma reorganização séria: “Em 20 anos, o número de matrículas na rede estadual de ensino encolheu de 6 milhões para 4 milhões. São 2 milhões de alunos a menos.”.

Não é preciso matemática em geral, basta a aritmética. Um cálculo simples com esses números permite inferir que há em SP capacidade instalada para quase universalizar as escolas em tempo integral e reduzir significativamente o número de alunos por sala de aula. Por que não se fazer isso se o foco é a qualidade do ensino? Porque qualidade do ensino no discurso tucano não passa de palavras jogadas ao vento.

 Geraldo A. Bergamo 

 

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