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Em prol da consolidação da universidade pública

Dagmar Aparecida Cynthia França Hunger
| Tempo de leitura: 2 min

 

O professor de uma instituição universitária pública se diferencia por estar imerso às suas atividades acadêmicas, científicas e administrativas, desenvolvendo e aperfeiçoando projetos coletivos de pesquisa básica e aplicada articulados a vida comunitária das pessoas, com o principal objetivo de disseminar novas ideias intelectuais, conhecimentos, valores, princípios, atitudes e ações que possam contribuir na resolução de questões problemáticas da sociedade brasileira e seus processos históricos nos campos da educação, saúde, tecnologias sociais, habitação, segurança etc.

O professor (ser psicossocial) e a/na sua instituição universidade são também sociedade, a qual, em sua essência, é propiciada e construída por nós brasileiros. Professores sabem que as universidades são constituídas por grupos de pessoas que vivem numa teia de conflitos, interesses, necessidades, anseios e motivações e, o melhor, assim estão atentos ao jogo de tensões e poderes sociais, políticos, econômicos e culturais, para o estabelecimento de uma ou outra determinada concepção de educação superior e sociedade brasileira.

Mas, qualquer que seja o interesse, o fato é que instituições públicas universitárias se diferenciam de outras instituições sociais, prioritariamente, em razão de seu eixo condutor, ou seja, o conhecimento científico, do qual o professor tem pleno domínio, sendo ele uma autoridade e o principal responsável por garantir a formação de novas gerações de profissionais competentes. 

E, nesse sentido, o perfil e currículo do professor de uma universidade pública caracterizam-se por corresponder às exigências do mundo social e do trabalho em seu cotidiano acadêmico no que diz respeito à melhor docência, investigação, produção, propagação e aplicabilidade do saber científico, na busca da superação do senso comum, propiciando cultura erudita, autonomia profissional e a emancipação do ser cidadão brasileiro. Mas há limites nas relações possíveis entre professores universitários e comunidades sociais, ou seja, a condição da universidade pública e suas possibilidades, diante dos parâmetros políticos de níveis estadual e nacional, de influenciar mudanças nos diferentes, variados, difíceis e complexos contextos sociais.

Enfim, o professor universitário pertence a uma teia de interdependências e seu poder é relacional e mutável, ou seja, dependente de circunstâncias apropriadas do seu tempo presente e de todos os indivíduos do seu grupo social. Imprescindível reunir as forças dos grupos de professores universitários, reitores, diretores, governadores, ministros, presidente, população etc. em prol da consolidação da universidade pública como uma instituição digna do saber científico e da formação diferenciada do cidadão.  

 

A autora é diretora da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru

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