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Estivemos na 'mira' de 1.720 raios

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Com precipitação acumulada de 260,1 milímetros, novembro de 2015 foi o mais chuvoso dos últimos 15 anos em Bauru, conforme noticiou o JC. Contudo, com as tempestades, a cidade bateu outra preocupantre marca: o da incidência de raios, que disparou no mês passado ao contabilizar 1.720 descargas elétricas. Para se ter uma ideia, o número é cinco vezes maior do que o registrado em novembro de 2014, quando as ocorrências com raios somaram 285. 

Os dados foram levantados pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a pedido da reportagem. A estatística mostra que, de janeiro a novembro deste ano, foram registradas 4.567 descargas elétricas em Bauru, ante 3.335 no mesmo período do ano anterior, o que representa um aumento de 36%. 

Apesar do índice elevado,  por sorte, não houve nenhuma morte por raio na cidade, como já ocorreu em outros anos.

De acordo o coordenador do Elat/Inpe, Osmar Pinto Júnior, os dados a partir da primavera de 2015 mostram um aumento acentuado do número de descargas em Bauru, decorrente da concordância com a previsão de que a incidência de raios nesta primavera e verão será maior que no ano passado. “O aumento foi em função da ocorrência do fenômeno El Niño de intensidade muito forte”, disse, em nota enviada via assessoria de comunicação. 

Já o meteorologista do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet) da Unesp Fernando de Almeida Tavares atribui o aumento de chuvas nesse ano a mudanças na circulação atmosférica (movimento de grande escala da atmosfera e o meio, juntamente com as correntes oceânicas, através do qual o calor é distribuído pela superfície da Terra), o que teria favorecido a entrada de frentes frias com maior frequência em Bauru. “Nos anos anteriores, esse índice era menor”, justifica. 

Preocupante

 

Embora existam formas de prevenção de acidentes com raios (veja quadro abaixo), a maioria da população tende a ignorar os perigos, conforme aponta o coordenador da Defesa Civil em Bauru, Álvaro de Brito. “É uma realidade muito preocupante”, diz. 

“Uma pesquisa nacional aponta que, em mais de 90% dos casos com vítimas, as pessoas estavam em condições favoráveis para receber a descarga elétrica. Elas manuseavam varais de roupas, trabalhavam em cima de um prédio da construção civil ou se protegiam sob árvores quando foram atingidas pelo raio”, exemplifica Brito. 

 

Residência 

Durante a chuva que atingiu Bauru no último dia 24, parte da energia de um raio atingiu uma residência localizada na quadra 1 da rua Olmes Berriel, Vila Pacífico. Por sorte, ninguém ficou ferido. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a equipe que atendeu a ocorrência fez vistoria no imóvel e orientou os moradores. Não foi informado, entretanto, quais foram os danos materiais provocados pela descarga elétrica. 

Sem para-raios?

A maioria dos prédios da prefeitura não tem para-raios, aponta o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito. “O Sambódromo abriga de 15 mil a 20 mil pessoas e não tem proteção contra descargas elétricas. Espaços na Emdurb, na de Obras também não. São situações que precisam de mais atenção do poder público, pois nunca sabemos quando um raio vai cair”. 

O prefeito Rodrigo Agostinho alega que o custo para implementar para-raios em grandes áreas é muito alto e que o Executivo não dispõe de recursos, em curto prazo. “No passado, muitos prédios foram construídos sem proteção. Mas, nas 50 escolas e 20 unidades de saúde reformadas em Bauru recentemente, instalamos os para-raios”. 

Os semáforos, segundo Rodrigo, são um dos fatores que mais preocupam, pois os equipamentos desligam por causa da oscilação de energia elétrica, gerando riscos de acidentes. O prefeito adianta que a Emdurb está substituindo os semáforos, de forma gradativa, por aparatos com nobreak (sistema de alimentação de energia em caso de interrupção).

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