| Pedro Romualdo/Câmara Municipal |
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| Wanderley foi ouvido nessa quarta (2) pela Comissão de Fiscalização |
O assessor parlamentar Wanderley Rodrigues de Moraes Júnior foi ouvido nessa quarta-feira (2) pela Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Municipal no procedimento que apura suposta cobrança de propina por vereadores em troca de facilidades nas concessões de áreas públicas municipais a empresas. Braço direito de Sandro Bussola (PT), mas atualmente lotado na Presidência do Legislativo, ele disse ter se sentindo ameaçado e coagido pelo denunciante Pedro Valentim a falar sobre possíveis irregularidades no processo que aprovou a cessão de terreno para a empresa Aoki.
Júnior foi um dos três agentes públicos gravados por Valentim, enquanto o ativista tentava validar sua tese de existência de corrupção, já que não apresentou a fita de vídeo na qual alegava existir a materialidade das supostas negociações.
Na gravação de áudio, o assessor isenta Bussola de qualquer participação em esquemas do tipo e sugere que Roberval Sakai (PP) é quem teria acompanhado a tramitação do processo que culminou na concessão de área à Aoki, reiterando, contudo, não saber se o pepista havia ou não recebido propina de empresários.
Durante seu depoimento, Júnior pediu desculpas ao parlamentar e negou ter produzido “indícios” que ligaram o vereador a práticas indevidas.
AMEAÇAS
O assessor reiterou declarações prestadas à Polícia Civil. “Fui ameaçado pelo senhor Pedro Valentim, que me procurou trazendo boatos a respeito da suposta denúncia que ele fez”, afirmou, em entrevista exclusiva ao Jornal da Cidade.
Ele contou que, no domingo posterior às primeiras denúncias, encontrou com o ativista no estádio Alfredo de Castilho e, na segunda-feira, foi chamado por ele à sua residência. “Apresentei à comissão o cartão, com a letra de punho do próprio Pedro, onde este anota o endereço de sua residência. Em nova coação, me ameaçou a botar a boca no trombone caso não fosse falar com ele em sua casa, onde fez o ilegal flagrante preparado”, pontuou Júnior, que completou ainda: “Só gravou a parte que lhe interessava”.
Segundo o assessor, Valentim teria lhe afirmado, do lado de fora de sua residência, que o caso lhe traria proveito político para a eleição de vereador e “insinuou que poderia ter alguma outra vantagem disso”.
DENUNCIANTE
Valentim nega as acusações, pontuando que jamais ameaçou ou coagiu Wanderley Júnior e que o braço direito de Sandro Bussola teria, por conta própria, levantado informações sobre os trâmites da concessão da Aoki. O ativista diz que foi procurado pelo assessor e não conversou com ele do lado de fora de sua casa. “Nunca falei em campanha para vereador. Ele está tentando tirar o foco”.
INCONSISTÊNCIA
Na última terça-feira (1), representantes da empresa Aoki negaram qualquer tipo de cobrança de propina e negaram conhecer o suposto intermediador citado em gravações produzidas por Pedro Valentim.
O denunciante, por sua vez, revelou que, apesar de não ter o vídeo que deu origem às investigações, assistiu ao material, no qual apareceria o vereador Sandro Bussola. Ele negou, porém, que o parlamentar esteja cobrando propina na gravação.
